Sobretaxas de Trump derrubam exportações brasileiras aos EUA
Protecionismo americano afeta exportações e força empresas a buscar novos mercados e estratégias.
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As medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump já causam impactos severos na balança comercial do Brasil. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 9,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 24,1 bilhões.
O impacto direto é sentido no caixa das empresas nacionais, com relatos de quedas de até 60% nas vendas para o mercado americano. Em alguns casos extremos, a comercialização foi totalmente interrompida. Setores como calçados, têxteis, móveis, além de máquinas e equipamentos industriais, figuram entre os mais prejudicados pelas alíquotas que chegam a 50%. A participação dos Estados Unidos nas exportações totais do Brasil recuou de 12,1% para 9,4% no primeiro semestre de 2026.
A falta de previsibilidade gerada pelas tarifas tem inviabilizado a manutenção de contratos de longo prazo. João Baroni, diretor-geral da Engemasa, empresa do setor de manufatura, ilustra a gravidade do cenário: "O mercado americano representava 40% do faturamento em 2025 e este ano representa zero". Outras companhias, como a Utilinox, dirigida por José Neto, também reportam prejuízos significativos em suas operações de exportação.
Diante do impasse, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca soluções diplomáticas e já levou a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de setembro de 2026, à margem da reunião ministerial do G20 em Milwaukee, autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira, reuniram-se com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Durante o encontro, Greer comprometeu-se a elaborar um documento com propostas para balizar uma nova rodada de negociações comerciais. Segundo Elias Rosa, o representante americano afirmou que fazer esse documento de referência é seu "dever de casa". A expectativa é que as exigências americanas sejam apresentadas no início de novembro, permitindo que as tratativas bilaterais avancem após o segundo turno das eleições no Brasil.