Prévia da inflação acelera para 0,70% e supera estimativas
Inflação oficial surpreende e avança acima do esperado, pressionando juros e orçamento das famílias.
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,70% em setembro de 2026, revertendo a deflação de 0,40% observada no mês anterior. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25), ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que estimava um avanço de 0,53%.
Com o novo índice, a prévia da inflação oficial do país acumula alta de 3,82% no ano. No acumulado de 12 meses, a taxa saltou de 4,24% para 4,47%, aproximando-se perigosamente do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Durante o período de coleta, realizado entre 16 de agosto e 15 de setembro, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram elevação de preços.
O principal impacto no indicador veio do grupo Habitação, que registrou variação positiva de 2,07%. Essa alta foi fortemente impulsionada pelo encarecimento de 7,42% na energia elétrica residencial, um reflexo direto do fim do chamado Bônus de Itaipu, que havia aliviado as contas de luz em agosto. Outros itens também pressionaram o orçamento das famílias no período, com destaque para as passagens aéreas, que subiram 9,82%, e o cigarro, com salto de 14,00%.
O comportamento dos preços reacende as discussões sobre a persistência inflacionária e seus possíveis impactos na taxa de juros. Para Rai Chicoli, estrategista da corretora Monte Bravo, o número foi bem maior que o esperado, mas justificado por itens voláteis e pela devolução de quedas que haviam surpreendido em leituras anteriores. Já a economista da XP Investimentos, Basiliki Litvac, ressalta que os serviços subjacentes e os setores intensivos em mão de obra continuam sendo o principal ponto de atenção para a condução da política monetária.
A próxima divulgação do IPCA-15 pelo IBGE está agendada para o dia 23 de outubro de 2026, quando analistas poderão avaliar se a pressão sobre os preços se mantém ou se os efeitos tarifários perdem força.