Falta de reconhecimento no trabalho gera adoecimento
Invisibilidade e sobrecarga no trabalho geram estresse crônico e exaustão, afetando a saúde mental dos profissionais, aponta estudo.
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Pesquisa da Unicamp aponta que a invisibilidade profissional e a sobrecarga de tarefas estão diretamente ligadas ao estresse crônico e à exaustão dos trabalhadores.
A falta de reconhecimento no ambiente de trabalho é um fator determinante para o adoecimento mental dos profissionais. É o que aponta a tese de doutorado "Reconhecimento no ambiente de trabalho: indo além da Justiça Organizacional", desenvolvida pelo pesquisador brasileiro Ricardo Bertoni Pompeu, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (SP). O estudo, divulgado nesta quarta-feira (30), analisa como a exposição contínua a riscos psicossociais afeta a saúde dos assalariados.
A pesquisa destaca que elementos como metas inalcançáveis, estagnação na carreira, falta de recursos adequados e a invisibilização do trabalhador contribuem significativamente para quadros de estresse crônico e assédio. O fenômeno do presenteísmo — quando o funcionário está fisicamente no trabalho, mas improdutivo devido a problemas de saúde física ou mental — também foi identificado como uma das consequências dessa dinâmica.
A inspiração para o estudo surgiu da observação da rotina de alunos da Fatec (Faculdade de Tecnologia de Americana), no interior de São Paulo. Pompeu notou o impacto da dupla jornada entre os estudantes que conciliam trabalho e estudos. "Eles estudam e trabalham exaustivamente, mas são sempre cobrados por aquilo que não fazem", afirmou o pesquisador sobre a realidade observada.
Para fundamentar a tese, o autor coletou depoimentos de trabalhadores de diversos setores econômicos. Os relatos evidenciam um padrão de exposição a riscos ocupacionais que, ao longo do tempo, resultam em exaustão e problemas de saúde mental, reforçando a necessidade de repensar as práticas de gestão e valorização profissional nas organizações.