Dívida pública federal sobe a R$ 9,29 trilhões em agosto
Juros e câmbio elevam o endividamento público federal em agosto, com títulos atrelados à Selic batendo recorde.
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O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) apresentou um crescimento nominal de 0,04% em agosto de 2026, alcançando o montante de R$ 9,293 trilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (28) pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). No mês anterior, o endividamento estava na casa dos R$ 9,289 trilhões. No acumulado do ano, a alta já chega a 7,62%, o que representa um acréscimo de R$ 657,64 bilhões.
A dinâmica do mês foi marcada por um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões realizado pelo Tesouro Nacional, indicando que o governo pagou mais títulos do que emitiu. Contudo, esse movimento de redução foi superado pela apropriação de juros sobre o saldo devedor, que totalizou R$ 88,39 bilhões, puxando o estoque total para cima.
Na composição do endividamento, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna registrou um leve recuo de 0,05%, fechando o mês em R$ 8,944 trilhões. Em contrapartida, a Dívida Pública Federal externa subiu 2,41%, atingindo R$ 348,26 bilhões. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar no período.
Um dado de destaque no relatório de agosto foi o recorde na parcela da dívida atrelada à taxa básica de juros, a Selic. Os títulos flutuantes passaram a representar 52,74% do total, o maior patamar registrado desde o início da série histórica, em dezembro de 2000. O Tesouro Nacional projeta que essa fatia permaneça entre 49% e 53% até o final de 2026.
O chamado "colchão de liquidez", que é a reserva financeira mantida pelo governo para honrar seus compromissos, sofreu uma queda de 11,89% em agosto. O montante passou de R$ 1,371 trilhão para R$ 1,208 trilhão. Apesar da redução, o valor é suficiente para garantir 7,18 meses de pagamentos de títulos, mantendo-se bem acima do limite prudencial de três meses estabelecido pelo Tesouro.
O Coordenador-Geral de Operações da Dívida Pública no Ministério da Fazenda, Helano Borges Dias, comentou sobre as perspectivas futuras para a gestão do endividamento. Segundo ele, a expectativa é de que o país possa voltar a registrar superávits primários, o que considera ser a condição estrutural necessária para conseguir reduzir a participação dos títulos flutuantes na composição da dívida.