Bolsas dos EUA fecham em queda com pressão de rendimentos
Rendimentos de títulos em máximas históricas pressionam bolsas americanas, enquanto Fed sinaliza cautela com inflação.
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As bolsas de valores dos Estados Unidos encerraram o pregão de terça-feira (29) com leves quedas, pressionadas pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), que se mantiveram próximos de máximas de várias décadas.
O índice Dow Jones recuou 0,25%, fechando aos 51.350,99 pontos. O S&P 500 registrou queda entre 0,16% e 0,17%, encerrando aos 7.671,18 pontos, enquanto o Nasdaq teve ligeira baixa de 0,09%, aos 26.797,54 pontos.
A pressão sobre as ações foi impulsionada pelos rendimentos dos títulos públicos. O rendimento do Treasury de 30 anos atingiu 5,6206%, o nível mais alto desde junho de 2002. Já o título de 10 anos chegou a 5,293%, marca não vista desde junho de 2007. Esse movimento reflete a preocupação dos investidores com a inflação persistente e a expectativa de que as taxas de juros permaneçam elevadas por um período prolongado.
Autoridades do Federal Reserve (Fed) apresentaram visões divergentes sobre os próximos passos da política monetária. Michael Barr, diretor do Fed, defendeu novos aumentos nas taxas de juros, afirmando que o progresso na inflação 'saiu do rumo'. Segundo ele, ainda não há uma tendência clara para o retorno à meta de 2%, sendo necessário recalibrar a política monetária para equilibrar os riscos.
Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, também adotou um tom duro, declarando que permitir que a inflação permaneça acima da meta por 5,5 anos é 'brincar com fogo'. Por outro lado, John Williams, presidente do Fed de Nova York, adotou uma postura mais cautelosa, afirmando que o banco central tem tempo para avaliar os dados antes de decidir sobre novos aumentos e que 'não há urgência' para um novo aperto.
Além da política monetária, outros fatores pesaram no sentimento do mercado. A confiança do consumidor norte-americano registrou uma queda inesperada em setembro, recuando para 81,9, ante 88,6 em agosto. A volatilidade nos preços do petróleo, influenciada por incertezas nas negociações entre os EUA e o Irã, também adicionou cautela aos investidores.
O mercado agora aguarda a divulgação de dados cruciais ao longo da semana, incluindo o índice de inflação PCE e o relatório de empregos (payroll). Esses indicadores devem influenciar a decisão de política monetária do Fed na reunião agendada para outubro.