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Indústria recua 0,6% em agosto pressionada por juros altos

Setor fabril encolhe e frustra projeções, com juros altos minando consumo e investimentos.

Not Journal • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

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A produção industrial brasileira registrou uma queda de 0,6% em agosto de 2026 na comparação com julho, frustrando as expectativas do mercado, que projetava estabilidade ou leve alta. O recuo eliminou o ganho de 0,1% observado no mês anterior e reflete a perda de dinamismo do setor no segundo quadrimestre do ano.

Os dados, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a retração foi disseminada. Todas as quatro grandes categorias econômicas apresentaram queda, e 16 dos 25 ramos industriais pesquisados encolheram. As maiores perdas ocorreram nos setores de produtos do fumo (-23,4%), farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%). Na comparação com agosto de 2025, a produção geral recuou 1,2%, embora no acumulado do ano ainda haja um saldo positivo de 0,8%.

A política monetária restritiva é apontada como o principal fator de pressão sobre a atividade fabril. Com a taxa Selic em 13,75%, o encarecimento do crédito afeta tanto o consumo quanto a capacidade de expansão das empresas. O pesquisador do IBGE, André Macedo, explicou que os juros elevados impactam diretamente os níveis de inadimplência e endividamento de famílias e empresas, comprometendo a renda disponível e forçando o adiamento de decisões de investimento.

Apesar do resultado negativo recente, o volume da produção industrial encontra-se 1,3% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. No entanto, o setor ainda opera 15,6% abaixo do seu pico histórico, alcançado em maio de 2011, evidenciando os desafios estruturais e conjunturais para uma recuperação mais robusta.

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