Bolsa cai com pressão de bancos e tensões no exterior
Aversão ao risco global e fraqueza em bancos pesam sobre índice acionário e impulsionam dólar.
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O Ibovespa encerrou as negociações de 24 de setembro de 2026 em queda de 0,99%, aos 183.965,91 pontos, pressionado por perdas no setor bancário e por um cenário externo de aversão ao risco. O dólar comercial acompanhou o movimento de cautela e fechou em alta, variando entre R$ 5,1931 e R$ 5,1950, o maior valor de fechamento desde o final de agosto.
O desempenho negativo do principal índice da bolsa brasileira foi fortemente influenciado pelas ações de grandes instituições financeiras. O Banco do Brasil (BBAS3) registrou recuo entre 2,84% e 2,89%, seguido por Bradesco (BBDC4), com queda de até 1,66%, Itaú (ITUB4), que perdeu até 1,18%, e Santander (SANB11), com baixa de 0,20%.
No exterior, o clima foi ditado pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo o Irã e a reabertura de rotas marítimas no Estreito de Ormuz. Esse cenário impulsionou os preços do petróleo Brent, que subiram mais de 3,4%, encerrando a sessão cotados entre US$ 106,60 e US$ 107,42 por barril.
Cristina Helena Pinto de Mello, professora e pesquisadora em economia da PUC-SP, destacou a influência internacional no pregão. 'O movimento de hoje está bastante ligado ao ambiente externo. Temos a elevação dos juros dos Treasuries, fator que aumenta a aversão ao risco e torna os ativos norte-americanos mais atrativos, pressionando as bolsas globalmente', explicou.
Internamente, o mercado reagiu com preocupação à revisão das metas fiscais pelo governo, que alterou a projeção de um superávit de R$ 10,8 bilhões para um déficit de R$ 13,6 bilhões em 2026. Além disso, o Banco Central reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano de 2,0% para 1,8%.
Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, avaliou o impacto das contas públicas. 'A piora das estimativas fiscais aumentou a cautela dos investidores com a trajetória da dívida para a pressão observada sobre o câmbio e os juros futuros', afirmou.
Nos próximos dias, os investidores devem continuar monitorando os desdobramentos do cenário fiscal interno, a proximidade das eleições presidenciais e a evolução dos conflitos no Oriente Médio.