Vitória democrata no Congresso pode frear tarifaço de Trump?
Democratas no Congresso podem frear tarifas de Trump e redefinir relações comerciais globais.
Arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 (Reuters/Carlos Barria/File Photo)
A conquista da maioria pelo Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na última terça-feira (3), altera o equilíbrio de forças em Washington e levanta dúvidas sobre a viabilidade da política de aumento de impostos sobre importações defendida pelo presidente Donald Trump.
Com os resultados do pleito de 3 de novembro de 2026, os democratas assumirão o controle das duas casas do Congresso a partir de janeiro de 2027. No Senado, o partido garantiu 54 cadeiras, sete a mais que os republicanos. Na Câmara dos Representantes, a oposição conquistou ao menos 228 assentos contra 139 governistas, com projeções indicando a possibilidade de chegar a 255.
O novo cenário legislativo permite que a oposição fiscalize o governo e dificulte a agenda de Trump. Contudo, a capacidade de barrar o chamado "tarifaço" é limitada. Qualquer legislação restritiva aprovada pelo Congresso precisaria da sanção presidencial ou de uma maioria de dois terços para derrubar um eventual veto de Trump, que já sinalizou a intenção de utilizar esse recurso contra a nova maioria.
As eleições de meio de mandato, tradicionalmente vistas como um referendo sobre o presidente em exercício, foram marcadas pela insatisfação popular com o custo de vida, a economia e a guerra contra o Irã. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou o resultado como "uma reformulação geracional do mapa do Senado que vai mudar os Estados Unidos".
Em resposta, Trump minimizou o impacto das urnas em sua popularidade. Na rede social Truth Social, o presidente afirmou: "Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido de lavada! Obrigado pela atenção a este assunto". Posteriormente, em declaração ao jornal The New York Times, adotou um tom mais conciliador, afirmando que pretende trabalhar com os democratas e que "provavelmente chegaremos a algum entendimento".
Para o Brasil e outros parceiros comerciais dos Estados Unidos, a nova composição do Congresso abre a possibilidade de maior escrutínio sobre as decisões da Casa Branca. No entanto, a ausência de garantias de mudança imediata na política externa ou comercial americana mantém o cenário de incerteza quanto aos impactos globais das tarifas propostas pelo governo republicano.
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