Trabalho em app tem jornada maior e remuneração menor
Estudo do IBGE revela que profissionais de aplicativos trabalham mais horas e recebem menos por hora, com alta informalidade.
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Profissionais que atuam por meio de plataformas digitais no Brasil enfrentam jornadas de trabalho mais longas e recebem menos por hora em comparação aos demais empregados do setor privado. É o que revelam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada em 4 de setembro de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento aponta que o país contava com 1,96 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, um crescimento de 36,8% em relação a 2022. A jornada média semanal desses profissionais foi de 44,7 horas, superando as 39,3 horas registradas entre os demais ocupados no setor privado. A diferença representa 5,4 horas a mais de trabalho por semana para os plataformizados.
Apesar da jornada mais extensa, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos foi de R$ 16,20, valor 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos pelos demais trabalhadores do setor privado. O rendimento médio mensal, no entanto, foi praticamente o mesmo: R$ 3.147 para os plataformizados e R$ 3.148 para os demais ocupados. Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, a estabilidade do rendimento médio reflete a ausência de ganho real no período, especialmente para motoristas.
A pesquisa também destaca a alta informalidade no setor. Entre os trabalhadores de aplicativos, a taxa atingiu 72,1%, contra 42,7% no setor privado em geral. A cobertura previdenciária alcançou apenas 34% dos plataformizados, enquanto no outro grupo o índice foi de 63%. Fontes ressalta que, mesmo com a flexibilidade de horários, a jornada de trabalho se mantém superior à média.
O advogado trabalhista Tomaz Nina defende um equilíbrio na regulamentação do setor, evitando tanto a desproteção dos trabalhadores quanto a aplicação integral das regras do emprego tradicional, que poderiam descaracterizar o modelo de plataformas. O tema continua em debate no cenário jurídico e político, incluindo discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o reconhecimento de vínculo empregatício.