Crise no STF: Fachin assume gestão de embate entre Mendonça e Moraes
Conflito entre ministros do STF expõe investigações e acusações de interferência, gerando crise institucional na Corte.
Foto: Reprodução
A tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo patamar com o embate público entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O conflito, originado nas investigações da operação "Compliance Zero" sobre o Banco Master, levou o presidente da Corte, Edson Fachin, a intervir diretamente para gerenciar a crise institucional.
O estopim da crise ocorreu em 1º de setembro de 2026, quando Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF). O documento expôs mensagens e registros de encontros entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. Segundo a PF, as mensagens sugerem pedidos de intercessão junto a órgãos como a Procuradoria-Geral da República (PGR), a própria PF e o Banco Central.
A investigação também aponta a existência de contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à esposa de Alexandre de Moraes. Os valores somariam R$ 180 milhões, divididos em dois contratos de R$ 131,3 milhões brutos e R$ 50 milhões. A PF recuperou mensagens de "visualização única" e metadados que indicariam a participação de Moraes na edição de minutas desses contratos.
Em resposta à quebra de sigilo, Alexandre de Moraes enviou a Edson Fachin um pedido de investigação contra André Mendonça. Moraes acusa o colega de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do inquérito. Mendonça, por sua vez, defendeu-se em nota, afirmando que o depoimento de Vorcaro em seu gabinete foi um "ato processual regular" e que não abordou temas relacionados a Moraes.
Diante da escalada, Edson Fachin avocou para si a condução da crise. O presidente do STF retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das Fake News e estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para manifestações dos envolvidos. Mendonça, Moraes, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deverão apresentar seus posicionamentos. Em pronunciamento, Fachin ressaltou que "nenhuma autoridade está acima da Constituição" e defendeu a aplicação do Código de Ética da Corte.