Selic alta encarece capital e trava mercado de IPOs no país
Juros em alta desvalorizam companhias e impedem novas listagens na bolsa, mesmo com ações atrativas.
Mansueto Almeida/BTG | (divulgação)
O patamar elevado da taxa básica de juros (Selic) tem atuado como a principal barreira para novas aberturas de capital de empresas brasileiras. Com o custo de capital mais alto, investidores exigem maiores retornos para migrar da renda fixa para a variável, o que reduz o valor de mercado das companhias e trava a realização de ofertas públicas iniciais (IPOs) e subsequentes (follow-ons).
O cenário de juros altos reflete diretamente nos números do mercado financeiro. Entre 2023 e 28 de outubro de 2026, o Brasil registrou 49 follow-ons e apenas dois IPOs, movimentando um total de R$ 106,87 bilhões. A situação cria uma divisão evidente, favorecendo empresas já listadas que conseguem captar recursos via ofertas subsequentes, enquanto novas entrantes hesitam em abrir o capital no momento atual.
Apesar das dificuldades, algumas operações conseguiram avançar ao longo de 2026. A Compass Gás e Energia quebrou um jejum na B3 que durava desde setembro de 2021, realizando um IPO integralmente secundário de R$ 3,2 bilhões em maio. No exterior, o Agibank estreou na Bolsa de Nova York (NYSE) em fevereiro, captando US$ 240 milhões, embora com ações precificadas a US$ 12, abaixo da faixa inicial estimada de US$ 15 a US$ 18. O PicPay também realizou sua estreia no mercado norte-americano neste ano.
Durante um painel realizado em São Paulo no dia 29 de outubro de 2026, Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, explicou que a Selic elevada afasta as companhias do mercado de ações. O evento também contou com a presença de Jerson Zanlorenzi, sócio da instituição. Diante desse cenário adverso, empresas como a Elo podem adiar suas ofertas públicas para 2027. Questionada, a companhia de pagamentos afirmou em nota que não comenta rumores de mercado.
A retomada mais robusta das aberturas de capital depende agora de uma mudança no cenário macroeconômico. O mercado aguarda cortes na taxa Selic para que o ambiente se torne mais favorável, permitindo que as empresas consigam acessar a bolsa de valores com avaliações mais atrativas.
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