Mercado prevê interrupção nas quedas da Selic até o fim de 2027
Mercado financeiro aponta estagnação da taxa básica de juros até o fim de 2027 por conta de cenário econômico e fiscal adverso.
(Reprodução/Jornal do Comércio)
Após cinco reduções consecutivas, instituições financeiras revisam projeções e indicam que a taxa básica de juros deve permanecer estagnada devido à piora nas expectativas econômicas e fiscais.
A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, teve sua trajetória de cortes revista pelo mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3), a projeção para o final de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Para 2027, a mediana das expectativas avançou de 11,75% para 12,50%, sinalizando a possibilidade de um longo período sem novas reduções.
A mudança de perspectiva ocorre após um ciclo que acumulou uma redução de 1,25 ponto percentual desde março de 2026. A interrupção projetada é motivada pela deterioração do cenário econômico, impulsionada por pressões inflacionárias, incertezas fiscais, alta do dólar e um ambiente externo desfavorável.
Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, destacou em relatório o impacto da inflação nas decisões futuras. "As revisões de expectativa para o IPCA para 2027, no nosso caso de 3,9% para 5%, devem dar um tom de cautela para o BC", afirmou. A postura defensiva já havia sido sinalizada na ata anterior do Comitê de Política Monetária (Copom), que citou o aumento da incerteza e a desancoragem das expectativas como fatores que demandam "serenidade e cautela na condução da política monetária".
O Copom iniciou sua penúltima reunião do ano nesta terça-feira. A decisão oficial sobre a manutenção ou alteração da taxa básica de juros será anunciada pelo Banco Central na quarta-feira (4), a partir das 18h30.
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