Lula debate economia e proposta de corte forçado da Selic
Debate sobre proposta de corte de juros forçado e suas implicações para a política fiscal e a credibilidade econômica do país.
(Ricardo Stuckert)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros e economistas no Palácio da Alvorada, no início de novembro de 2026, para debater o cenário macroeconômico brasileiro. O encontro ocorreu em meio à repercussão da proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de maneira forçada.
A reunião e seus desdobramentos foram tema do episódio 'Promessas em xeque; responsabilidade fiscal; queda de juros forçada', do podcast Money Talks, publicado em 7 de novembro. O programa, conduzido por Aluizio Falcão Filho, Lucas Andrade e Rodrigo Dias, analisou a sugestão de Lara Resende de criar uma nova combinação entre as políticas fiscal e monetária.
Em artigo recente, Lara Resende defendeu que o custo da dívida pública é o principal motor da crise fiscal do país, afirmando que 'todo o resto é secundário'. O economista sugeriu a redução da Selic para patamares como 7,5% ao ano e a criação de um conselho conjunto para estabelecer metas fiscais e monetárias. Segundo ele, 'a trajetória explosiva da dívida em relação ao PIB deve ser interrompida o quanto antes'.
A proposta gerou apreensão no mercado financeiro. Analistas comparam o risco da medida a episódios de interferência política na condução monetária, a exemplo do que ocorreu na Turquia em 2021. O debate ganha força em um momento de pressão por uma agenda fiscal crível e incertezas sobre a equipe econômica do governo.
Para Lara Resende, a manutenção da taxa de juros em níveis elevados inviabiliza o crédito, desestimula o investimento produtivo e agrava a concentração de renda. Por outro lado, críticos da proposta alertam para os riscos de forçar a queda dos juros. O professor Denis Medina, da FAC-SP, comentou a pressão sobre o Banco Central: 'Acusá-lo é matar o mensageiro'.
O podcast também abordou a expectativa por medidas governamentais alinhadas ao controle de gastos e ao alívio da carga tributária, além de analisar as especulações em torno da indicação do próximo ministro da Fazenda.
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