Fed mantém juros e Warsh descarta superaquecimento da economia
Presidente do Fed avalia que crescimento robusto não gera pressão inflacionária e descarta superaquecimento da economia.
(Reprodução/Investing BR Economia)
O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no patamar de 3,75% a 4,00% ao ano, em reunião realizada nesta quarta-feira (28). A decisão, que interrompe o ciclo após a alta de setembro, foi marcada por divergências internas e ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato no país.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do banco central americano, Kevin Warsh, afirmou que a economia do país não está superaquecida, contrariando preocupações de parte do mercado. Segundo ele, o crescimento econômico robusto não se traduz automaticamente em maior pressão inflacionária. "A economia está aquecida demais? Está crescendo forte demais? Essa não é a opinião da maioria dos meus colegas", declarou.
Warsh reconheceu que há pressões sobre a demanda impulsionadas pelo recente boom de investimentos em inteligência artificial. No entanto, o presidente do Fed destacou que o cenário reflete um ganho de produtividade estrutural. Ele ressaltou que o objetivo da autoridade monetária não é colocar areia na engrenagem da economia e avaliou que a melhora na produtividade antecede as discussões atuais sobre superinteligência.
A manutenção da taxa não foi unânime, registrando um placar de 10 votos a 2. As dissidentes Lisa Cook, membro do conselho, e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. O debate interno reflete o desafio do Fed diante de uma inflação que ainda permanece acima da meta de 2%, enquanto o comunicado oficial alterou a classificação da atividade econômica de sólida para forte.
Sem fornecer indicações explícitas sobre os próximos passos da política monetária, a instituição reiterou que as futuras decisões dependerão da evolução dos dados econômicos. Analistas agora voltam as atenções para a última reunião do ano, prevista para dezembro, em busca de novos sinais sobre a trajetória dos juros americanos.
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