Dívidas de Brasil e EUA batem recordes e geram alertas
Diferenças em juros, câmbio e gastos explicam por que dívidas bilionárias assustam de modos distintos no Brasil e nos EUA.
(Reprodução/G1 Economia)
Enquanto o endividamento brasileiro atinge R$ 11,1 trilhões, a dívida americana ultrapassa a marca histórica de US$ 40 trilhões, revelando desafios econômicos distintos para cada país.
A dívida pública atingiu patamares recordes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos em agosto de 2026, levantando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal de ambas as nações. Embora os valores sejam expressivos nos dois casos, as dinâmicas que impulsionam o endividamento e os desafios para financiá-lo apresentam características próprias.
No Brasil, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central no final de setembro. O crescimento do endividamento brasileiro é fortemente influenciado pelas altas taxas de juros nominais, que somaram R$ 105,9 bilhões apenas em agosto, e pela desvalorização cambial. Esses fatores tornam o financiamento da dívida interna mais oneroso para o país.
Já nos Estados Unidos, a dívida federal superou a marca de US$ 40 trilhões em agosto, impulsionada por um déficit orçamentário de US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em setembro. O desequilíbrio nas contas americanas é resultado de uma combinação de fatores, incluindo elevados gastos militares, cortes de impostos e o aumento dos custos com programas de proteção social. O serviço da dívida tornou-se a terceira maior despesa do orçamento federal do país.
Especialistas alertam para os impactos dessas cifras na economia real. Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, ressalta que a dívida americana 'não existe apenas nos livros contábeis do governo; ela se faz sentir em toda a economia e, de uma forma ou de outra, chega ao bolso das pessoas'.
Kenneth Rogoff, professor de Economia Internacional em Harvard e ex-economista-chefe do FMI, também expressou preocupação com a situação fiscal dos EUA. Segundo ele, o crescimento da dívida, aliado a déficits elevados e juros de longo prazo maiores, torna o cenário 'cada vez mais preocupante', com riscos potenciais de enfraquecimento da posição internacional do dólar no longo prazo.
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