Dívida dos EUA atinge US$ 40 tri no segundo mandato de Trump
Crescimento acelerado da dívida pública americana desafia promessas de redução de gastos e aponta para possível crise fiscal.
Foto: Reprodução
A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões, o equivalente a cerca de R$ 206 trilhões, no dia 18 de agosto de 2026. O montante é composto por US$ 32,266 trilhões em títulos do Tesouro detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em dívida intragovernamental.
O recorde ocorre nos primeiros 19 meses do segundo mandato do presidente Donald Trump, que tem enfrentado dificuldades para cumprir promessas de campanha voltadas à redução de gastos e ao controle do déficit. A trajetória de alta da dívida americana, no entanto, é um fenômeno de décadas, perpassando gestões de diferentes partidos.
O aumento recente é atribuído a uma combinação de fatores. Entre eles estão cortes de impostos, gastos militares – impulsionados pelos custos da guerra com o Irã, que já dura seis meses –, devoluções de tarifas alfandegárias determinadas pela Suprema Corte e o aumento dos juros para o serviço da dívida. Atualmente, o custo anual para o pagamento de juros da dívida federal está na casa de US$ 1 trilhão, valor comparável ao orçamento de defesa nacional.
Especialistas em orçamento alertam para uma iminente crise fiscal. O cenário pode forçar o Congresso e o governo a adotarem medidas impopulares, como o aumento de impostos ou cortes em programas de proteção social, incluindo a Previdência Social. O tema deve ganhar relevância nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026.
Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, criticou a gestão atual. "Não existe cenário possível em que se possa analisar o histórico do presidente Trump, tanto neste mandato quanto no anterior, e considerá-lo um sucesso fiscal", afirmou. Por sua vez, Trump declarou em 21 de agosto que "o crescimento vai resolver isso com muita facilidade".
O patamar da dívida americana também repercutiu internacionalmente. Em 27 de agosto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comentou o assunto: "Olha para o Japão, olha para a Itália. Você sabe qual é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é 40 trilhões de dólares".