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Disputa por terras raras no Brasil opõe EUA e China

País detém vasta reserva e pode se tornar protagonista na corrida por minerais estratégicos, mas enfrenta desafios para agregar valor.

Not Journal • • 2 min de leitura
(Reprodução/G1 Economia)

(Reprodução/G1 Economia)

O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, tornou-se peça-chave na disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. Com recursos estimados entre 14,7% e 23,1% do total global, o país busca atrair investimentos para industrializar o setor, que reúne 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.

A tensão estratégica ganhou novos contornos em 2026. Uma agência do governo norte-americano firmou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a Serra Verde, empresa que opera a produção de terras raras em Goiás. Em setembro, a aquisição da Serra Verde pela estadunidense USA Rare Earth foi concluída, refletindo o esforço dos EUA para reduzir a dependência da China e garantir suprimentos para suas indústrias tecnológica e militar.

Do outro lado, a China mantém posição dominante no mercado. Em 2025, o país asiático controlava entre 85% e 94% do refino global de terras raras, utilizando essa hegemonia como ferramenta de negociação geopolítica. O preço do óxido de neodímio processado, fundamental para ímãs de alta potência, atingiu uma média de US$ 73 por quilo no mesmo ano.

Para o Brasil, o desafio é superar a exportação de minério bruto. O país enfrenta obstáculos como licenciamento, necessidade de capital e falta de infraestrutura para processamento. Como resposta, foi sancionada em setembro de 2026 uma lei que destina R$ 7 bilhões para a construção da primeira planta de separação de terras raras no país até 2030.

Especialistas destacam a importância estratégica do setor. O economista e ex-diretor executivo do FMI, Otaviano Canuto, afirma que 'minerais críticos são o novo petróleo'. Já Rafaela Guedes, senior fellow do Cebri, ressalta que 'a diferença entre um projeto inviável e um projeto atrativo não está no subsolo brasileiro, mas nas escolhas de política pública'.

O Brasil estabeleceu como meta para 2040 alcançar a produção de 75 mil toneladas anuais, o que representaria 20% da produção global projetada. A implementação da planta de separação prevista para 2030 é considerada o próximo passo fundamental para consolidar a posição do país na cadeia de valor global de minerais críticos.

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