Crise do cacau impulsiona Brasil, mas encarece o chocolate
Crise climática eleva preços do cacau e ameaça tornar chocolate um artigo de luxo, apesar do avanço brasileiro no mercado.
Semente de cacau dá origem ao chocolate (Reprodução/Redes sociais)
A instabilidade climática global tem reduzido a oferta de cacau, abrindo espaço para a expansão do Brasil no mercado internacional. No entanto, a alta nos preços da commodity ameaça transformar o chocolate em um artigo de luxo para os consumidores.
A crise de oferta tem origem na África Ocidental, região responsável por cerca de 70% da produção mundial. Desde 2022, os países produtores enfrentam quebras severas de safra provocadas por eventos climáticos extremos e proliferação de fungos. Esse cenário fez a tonelada do cacau ultrapassar a marca de US$ 10 mil em 2024. Atualmente, os valores oscilam entre US$ 5.000 e US$ 5.500, patamar que ainda é considerado elevado e volátil pela indústria.
O Brasil tem aproveitado a lacuna deixada pelos produtores africanos para ampliar sua participação externa. O país domina toda a cadeia produtiva, desde o cultivo da semente até a fabricação da barra, e aposta na qualidade do produto para conquistar novos mercados. Um dos diferenciais do cacau nacional destacado no setor é o seu modelo de produção, que auxilia na preservação florestal.
Apesar do avanço nas exportações, o mercado interno já sente os reflexos da escassez global. Dados de março de 2026 mostram que a inflação acumulada no setor de chocolates chegou a quase 25% no Brasil. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) monitora o impacto nos preços, enquanto análises de longo prazo apontam para um risco estrutural de escassez do produto até o ano de 2050.
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