Copom mantém Selic em 13,75% para conter pressão inflacionária
Juros altos freiam alta de preços e protegem câmbio em meio a riscos fiscais e globais.
(Reprodução/Finance News)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. A medida interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos que vinham ocorrendo desde abril de 2026.
A decisão já era esperada pela maior parte do mercado financeiro, com cerca de 72% das instituições apostando na estabilidade da taxa. O cenário de incertezas pesou na avaliação do comitê, que citou pressões inflacionárias, instabilidade cambial e riscos fiscais após as eleições presidenciais de outubro, além dos impactos de conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo.
Em comunicado, o Copom destacou que o contexto atual exige serenidade e cautela na condução da política monetária. O texto oficial aponta para um cenário desafiador, marcado por expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da atividade econômica doméstica. Atualmente, as projeções do Boletim Focus indicam inflação de 5,2% para 2026, acima da meta estabelecida.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth, a pausa nos cortes atua como uma barreira de proteção. Ele avalia que a manutenção da Selic no patamar atual representa 'um dique de contenção contra a desancoragem inflacionária e a volatilidade cambial', ressaltando ainda que a pauta fiscal será decisiva para o futuro dos investimentos no país. O Banco Central não forneceu indicações sobre os próximos passos para as reuniões futuras.
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