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Cálculo do PIB brasileiro passará a incluir drogas ilegais

Mudança estatística visa captar movimentações econômicas ocultas e seguir padrões internacionais de medição.

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Foto: Reprodução

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que está desenvolvendo uma nova metodologia para o Sistema de Contas Nacionais (SCN) que vai incorporar estimativas sobre a comercialização de drogas ilícitas no Produto Interno Bruto (PIB) do país. A mudança, prevista para entrar em vigor em 2028, tem caráter puramente estatístico e não representa qualquer tipo de legalização ou reconhecimento estatal dessas atividades.

O objetivo da medida é medir de forma mais abrangente a renda, o consumo e os fluxos econômicos reais que já ocorrem no Brasil, evitando que movimentações financeiras significativas fiquem invisíveis nas estatísticas oficiais. O cálculo será feito por meio de estimativas indiretas e do cruzamento de bases de dados, como pesquisas de consumo, preços e registros administrativos, priorizando a ótica da demanda.

A revisão segue recomendações internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Eurostat, e já é adotada por países como Reino Unido, França, Alemanha e Holanda. Em nota oficial, o IBGE destacou que, independentemente de serem informais ou ilegais, as atividades devem ser cobertas pelas Contas Nacionais na medida do possível. O professor de economia da Fipecafi, Cláudio Gonçalves dos Santos, reforça a visão técnica: "O fato de uma determinada atividade ser ilegal não significa que ela deixe de produzir renda, consumo, emprego e fluxos financeiros que, de alguma maneira, afetam o funcionamento da economia".

O processo de revisão do SCN ocorre aproximadamente a cada dez anos. As discussões internas sobre a inclusão do mercado de drogas ilícitas começaram em 2019, com uma estimativa-teste realizada em 2021. Os primeiros resultados da nova série estatística serão integrados ao Sistema de Contas Nacionais Trimestrais a partir de 2028.

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