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Após tensão no STF, Mansueto aponta a pauta que o próximo governo terá de enfrentar

Mansueto Almeida alerta para os desafios fiscais que podem definir a economia brasileira a partir de 2027

Not Journal • • 5 min de leitura
Foto: Not Journal

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Em evento do BTG Pactual Advisors nesta quarta-feira (16), Mansueto Almeida analisou os desafios econômicos que estarão na mesa do próximo governo. Em um Brasil que amanheceu repercutindo a turbulenta sessão do STF, o economista colocou o foco em outra frente de pressão para 2027: gastos públicos, dívida, juros e a necessidade de recuperar previsibilidade econômica.

O encontro ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal marcada por fortes divergências entre ministros. O julgamento, relacionado à possível abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, terminou sem uma decisão definitiva após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O episódio ganhou ampla repercussão política e nas redes sociais nesta quarta-feira.

Foi nesse ambiente, em que política, instituições e economia voltam a disputar simultaneamente a atenção do mercado, que Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, apresentou sua leitura sobre o Brasil e sobre os desafios que deverão ocupar o próximo governo.

A mensagem de Mansueto foi menos de pessimismo e mais de alerta: o Brasil possui uma economia muito mais forte e diversificada do que no passado, mas precisa enfrentar a questão fiscal para transformar suas vantagens em crescimento mais consistente.

“Não é para ficar pessimista com o Brasil. Nós temos uma economia muito forte. O problema é bastante claro: o excesso de gastos nos leva a uma situação de juros muito altos.”

A pauta que espera o próximo governo

Na avaliação apresentada por Mansueto, o próximo governo terá de enfrentar uma equação que há anos condiciona as perspectivas brasileiras: como controlar o crescimento dos gastos, estabilizar a trajetória da dívida e criar condições para uma redução sustentável dos juros.

O diagnóstico ganha peso em um momento em que o custo do dinheiro continua elevado. A própria equipe de macroeconomia do BTG, liderada por Mansueto, projetava nesta semana redução de apenas 0,25 ponto percentual da Selic, de 14% para 13,75%, citando, entre os riscos ainda presentes, as incertezas fiscais e eleitorais.

Para Mansueto, portanto, não se trata de o próximo presidente reinventar a economia brasileira.

“Se a gente consertar isso, vamos para um cenário muito melhor. Mas teremos de fazer o dever de casa e controlar o gasto público.”

O raciocínio é que uma trajetória fiscal mais previsível reduz a percepção de risco, cria melhores condições para a queda dos juros e, consequentemente, amplia o espaço para investimentos privados.

Guilherme Pini: olhar para o futuro e para as decisões

O encontro também contou com Guilherme Pini, sócio e co-head do BTG Pactual Advisors, executivo que vem defendendo uma atuação dos advisors que vá além da simples escolha de investimentos e esteja cada vez mais ligada às decisões patrimoniais de longo prazo.

Em manifestações recentes, Pini tem colocado no centro dessa discussão temas como tecnologia, inteligência artificial, planejamento patrimonial, sucessão e a importância da relação de confiança entre advisor e cliente. Para ele, mesmo com a capacidade crescente da tecnologia de analisar carteiras e informações, compreender as prioridades individuais continua sendo parte essencial do trabalho de aconselhamento financeiro.

A presença de Pini ajuda a conectar a análise macroeconômica de Mansueto à realidade dos investidores: em um ambiente de juros elevados, incerteza fiscal e mudanças políticas, não basta acompanhar o próximo movimento do mercado — é necessário pensar na construção e preservação do patrimônio ao longo dos ciclos.

Um Brasil diferente daquele das grandes crises

Mansueto ressaltou que o país chega a esse novo ciclo político em condições estruturais diferentes das observadas em crises anteriores.

O Brasil ampliou sua produção de petróleo, possui um agronegócio altamente tecnológico e mantém uma economia diversificada entre mineração, energia, agricultura e serviços.

A agricultura foi usada pelo economista como exemplo dessa transformação.

“O agronegócio brasileiro hoje é muito intensivo em tecnologia. Há tecnologia desde a seleção da semente e a preparação do solo até a colheita e a irrigação.”

Mansueto também destacou a necessidade de continuar avançando em concessões e infraestrutura, além de ampliar a capacidade de transmissão de energia entre as regiões produtoras e os grandes centros consumidores.

Política de um lado, economia do outro — e 2027 no horizonte

A repercussão da sessão do STF mostra que o ambiente institucional deverá continuar ocupando espaço no debate público. A análise apresentada no BTG Pactual Advisors, porém, aponta para outra discussão que inevitavelmente estará diante de quem assumir o próximo governo: qual será a estratégia para as contas públicas brasileiras.

Na leitura apresentada por Mansueto, o país possui ativos, recursos naturais, tecnologia e uma economia diversificada. O desafio é criar condições fiscais para que essas vantagens sejam convertidas em investimento e crescimento.

Em outras palavras, enquanto Brasília discute suas crises institucionais, a conta econômica continua correndo.

E é justamente essa conta que estará sobre a mesa do próximo governo.

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