Ajuste de Milei reduz inflação, mas agrava pobreza na Argentina
Austeridade econômica eleva indicadores, mas aprofunda o empobrecimento e a insatisfação social em países emergentes.
Manifestantes protestam em apoio à comunidade universitária argentina, exigindo mais verbas e uma remuneração digna para o setor, além de se manifestarem contra o governo do presidente Javier Milei, em Buenos Aires… (Pedro Lazaro Fernandez/Reuters)
O governo do presidente argentino Javier Milei enfrenta uma onda crescente de insatisfação popular. Embora a gestão celebre a queda da inflação e a estabilidade das contas públicas, a população relata perda severa do poder de compra e dificuldades para arcar com despesas básicas.
Os indicadores sociais refletem o impacto das medidas de austeridade iniciadas em 2023. No primeiro semestre de 2026, a pobreza atingiu 32,3% da população, um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao final do ano anterior. O desemprego chegou a 7,9%, o maior patamar desde 2021, e mais de 32 mil empresas fecharam as portas ou deixaram de ter funcionários registrados desde o início do atual mandato.
O custo social das reformas é sentido diretamente no comércio. Gustavo Raul Perez, dono de uma loja de ferragens em Buenos Aires, ilustra a retração do consumo: "Eu costumava vender 10 carrinhos de mão. Agora, vendo um". O comerciante afirma que votou no atual presidente esperando melhorias, mas diz estar decepcionado com os resultados práticos na economia real.
A tensão social culminou em grandes manifestações em outubro de 2026, lideradas por estudantes, professores e sindicatos. O epicentro dos protestos é a exigência de cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, que prevê a atualização de verbas e a recomposição salarial de docentes. No primeiro semestre do ano, o orçamento universitário registrou uma queda real de 40,5% em comparação ao mesmo período de 2023.
A Universidade de Buenos Aires (UBA) declarou que não irá "normalizar o descumprimento da lei", exigindo o repasse dos recursos. O impacto da crise é relatado por alunos como Emiliano Gato, estudante de física, que aponta a saída em massa de professores para instituições privadas devido aos baixos salários. O governo, por sua vez, mantém os pagamentos suspensos, alegando falta de indicação da fonte de recursos e recorrendo na Justiça, sem prazo definido para a resolução do impasse.
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