Achado da Petrobras no Amapá reacende disputa por royalties
Achado de petróleo na costa do Amapá reaviva discussão sobre aplicação de futuros royalties e desenvolvimento regional.
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A confirmação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, trouxe à tona as discussões sobre a destinação de futuras compensações financeiras. O anúncio da Petrobras, feito em meados de agosto de 2026, reabriu o debate nacional sobre como estados e municípios poderão utilizar os royalties para o desenvolvimento regional e a transição energética.
Localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço encontra-se em uma região com lâmina d'água de 2.886 metros. A perfuração, que deve ultrapassar os 7 mil metros de profundidade, comprovou a existência de um sistema petrolífero ativo na Margem Equatorial, área considerada estratégica para a recomposição das reservas nacionais da estatal.
Apesar do avanço, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que o achado ainda não é classificado como uma descoberta comercial. "É uma descoberta, mas ainda não é uma descoberta comercial. Agora, nós vamos continuar furando o poço até o fundo", explicou a executiva, acrescentando que o resultado "esquenta toda a área" e anima a companhia na direção de uma nova província petrolífera. Os trabalhos de delimitação seguem para avaliar o volume e a viabilidade econômica do projeto.
No cenário político, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comemorou o resultado, projetando que o Amapá pode assumir um papel de protagonista econômico. Contudo, a exploração na região esbarra em um histórico de tensões. O processo de licenciamento ambiental foi longo e controverso, com uma negativa do Ibama em 2023 antes da autorização concedida em outubro de 2025. O embate reflete a dificuldade de conciliar a ampliação da produção de combustíveis fósseis com os compromissos de preservação da Amazônia.
Como próximo passo, a Petrobras já formalizou junto ao Ibama o pedido de autorização para perfurar outros três poços no mesmo bloco. Até o momento, não há previsão para a concessão dessas novas licenças ambientais, mantendo em compasso de espera os desdobramentos econômicos e as avaliações de impacto na região.