Venda global de títulos não substitui alta de juros, diz análise
Mercado antecipa alta de juros e pressiona bancos centrais a manterem aperto monetário, apesar de venda em massa de títulos.
Foto: Reprodução
A recente venda generalizada nos mercados globais de títulos soberanos tem gerado um aperto nas condições financeiras, mas não deve isentar os bancos centrais de promoverem novos aumentos nas taxas de juros.
Desde julho de 2026, os custos de crédito para empresas e famílias subiram de forma acentuada, movimento que ganhou força com o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
Apesar da expectativa de parte do mercado de que a alta nos rendimentos dos títulos de longo prazo faria o trabalho pesado da política monetária, a consultoria Capital Economics contesta essa visão. Segundo Simon MacAdam, economista-chefe global adjunto da instituição, a tendência atual reflete justamente as expectativas do mercado por novos aumentos de juros, e não um mecanismo independente de aperto financeiro.
A análise aponta que os rendimentos de médio prazo estão se movendo em sincronia com as taxas esperadas para um horizonte de dois anos. Com a próxima decisão de política monetária do BCE agendada para 29 de outubro de 2026, os formuladores de políticas que esperam uma substituição natural da necessidade de elevação das taxas podem acabar frustrados.
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