Risco no Golfo mantém barril de petróleo acima de US$ 100
Mercado precifica riscos de conflito e temores de infraestrutura, ignorando alívio na oferta e reservas.
Foto: Reprodução
Mesmo com a liberação de 100 milhões de barris de reservas emergenciais pelo G7 e o aumento das exportações no Oriente Médio, o mercado global de energia continua precificando os riscos do conflito de sete meses entre Estados Unidos e Irã.
Em 5 de outubro de 2026, as cotações refletiam esse cenário de incerteza. O barril tipo Brent operava na casa dos US$ 101,10, com leve recuo de 1,13%, enquanto o WTI era negociado a US$ 89,57, queda de 1,69%. Analistas da consultoria Vital Knowledge apontam que as medidas de alívio na oferta não alteram o contexto geral, que segue dominado pelo temor de danos à infraestrutura petrolífera e pelos estoques globais no nível mais baixo em cinco anos.
O impasse diplomático agrava a volatilidade. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou recentemente uma proposta iraniana de trégua de sete dias que previa a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump declarou que o país rival está indo muito mal e previu que a guerra terminará em breve, o que faria os preços despencarem. O vice-presidente americano, JD Vance, reforçou a posição de Washington, exigindo uma mudança de comportamento de Teerã antes de qualquer avanço diplomático.
A tensão no Golfo Pérsico levou países vizinhos a adaptarem suas rotas comerciais. A Arábia Saudita passou a redirecionar parte de suas exportações pelo oleoduto Leste-Oeste, evitando o trânsito marítimo por Ormuz. O cenário regional é ainda mais complexo devido aos confrontos paralelos no Iêmen, envolvendo o governo apoiado por sauditas e as forças Houthi, ligadas ao Irã.
Agora, os investidores monitoram os próximos desdobramentos militares e econômicos. Os Estados Unidos enviaram um porta-aviões adicional e mais tropas para a região, sinalizando preparação para uma possível escalada. No âmbito comercial, o mercado aguarda a próxima reunião da Opep+, marcada para domingo, que definirá as novas metas de produção do cartel em meio à crise internacional.