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Private credit: o crédito fora dos bancos que já começou a preocupar

O private credit nasceu para ocupar um espaço que os bancos deixaram.

Not Journal 28 Apr 2026
Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

Quando o crédito bancário ficou mais seletivo, mais regulado e menos disposto a carregar certas empresas e operações, fundos e veículos privados entraram em cena. Passaram a financiar companhias diretamente, em estruturas fechadas, desenhadas sob medida, sobretudo no middle market. O mercado cresceu rápido e já se aproximava de US$ 1,7 trilhão.

A proposta parecia simples: mais velocidade, mais flexibilidade e maior chance de execução.

E funcionou.

Esse capital ajudou empresas a crescer, refinanciar dívidas e viabilizar aquisições. Também ajudou a sustentar um mercado que, sem esse dinheiro, teria sido bem mais duro com preço, alavancagem e prazo.

O problema é que junto com a expansão veio uma zona cinzenta.

Menos transparência. Menos liquidez. Mais espaço para estruturas que aliviam a pressão no presente, mas aumentam a conta no futuro.

Os alertas começaram a ficar mais claros. O Banco Central Europeu já tratou o private credit como fonte de risco para a estabilidade financeira. Nos Estados Unidos, a inadimplência do private credit corporativo chegou a 9,2% em 2025, o maior nível da série acompanhada pela Fitch.

Também cresceram operações com mecanismos como PIK, em que o juro deixa de ser pago em caixa e passa a ser incorporado à dívida. O caixa respira por algum tempo. A dívida cresce. O desconforto não some. Só é empurrado adiante.

É aqui que o tema deixa de ser assunto de mercado financeiro e passa a importar para o mundo real das empresas.

Em M&A, capital mais flexível ajuda a fechar transações, preserva apetite comprador e sustenta valuations que, em outro ambiente de crédito, talvez já tivessem sido corrigidos. Nem todo múltiplo alto nasce apenas da qualidade do ativo. Em muitos casos, ele também reflete o tipo de funding disponível para bancar aquela operação.

Por isso, olhar só faturamento, EBITDA e preço ficou insuficiente.

A estrutura de capital passou a dizer tanto quanto a operação.

Quem financia a empresa, a que custo, com quais concessões e até quando são perguntas que mudam a leitura de risco, valor e timing. Uma companhia pode parecer mais robusta porque realmente é melhor. Ou porque ainda existe capital disposto a comprar tempo.

O private credit não é o vilão da história. Ele preencheu uma lacuna real. Mas já não pode ser tratado como simples alternativa ao banco.

Hoje, ele influencia preço de ativo, ritmo de aquisição e percepção de valor.

O risco saiu do banco.

Mas não saiu do sistema.

Coluna assinada
Roberto Valverde
M&A, governança, estratégia e bastidores de empresas familiares Roberto Valverde

Roberto Valverde é advisor de M&A e conselheiro consultivo, com trajetória construída na prática empresarial. Após fundar a Master Park e vender a companhia ao Pátria, passou a atuar em processos de venda, estratégia e governança para empresários e acionistas. Escreve sobre negócios com foco em criação de valor, decisões estratégicas e os bastidores reais do mundo empresarial.

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