PIB da França cresce 0,1% no terceiro trimestre sob crise fiscal
Serviços impulsionam avanço tímido em meio a desafios fiscais e incertezas econômicas.
Foto: Reprodução
A economia francesa registrou uma leve expansão de 0,1% no terceiro trimestre de 2026, impulsionada pelo setor de serviços. O resultado, divulgado pelo Banco da França na segunda-feira (12), representa um alívio tímido após a estagnação do trimestre anterior, mas ocorre em um cenário de forte pressão fiscal e incertezas econômicas.
O avanço marginal foi garantido pelo desempenho dos serviços, que conseguiu compensar as quedas registradas na indústria, na construção civil e na agricultura. O setor agrícola e as obras públicas foram particularmente afetados por ondas de calor severas durante o verão europeu. O crescimento de 0,1% encerra uma sequência negativa no ano, que começou com uma contração de 0,2% no primeiro trimestre e seguiu com crescimento nulo (0,0%) no segundo.
Apesar da saída da estagnação, o quadro macroeconômico monitorado pelo Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE) permanece desafiador. O país lida com o aumento nos custos de energia e combustíveis, além de um ambiente de incerteza entre líderes empresariais. A dívida pública francesa atingiu o patamar de 119% do Produto Interno Bruto (PIB), elevando os custos de captação do governo no mercado financeiro.
Diante desse cenário, a gestão do primeiro-ministro Sébastien Lecornu e do ministro das Finanças, Roland Lescure, enfrenta o desafio de ajustar o orçamento para 2027. Com um déficit orçamentário projetado em 5,4% do PIB para 2026, o governo precisará implementar medidas de austeridade, incluindo cortes de gastos e possíveis aumentos de impostos, ações que já começam a gerar protestos sociais no país.
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