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Mais de mil pessoas acharam que um Monet era IA e o problema é maior do que parece

Mais de mil pessoas acharam que um Monet era IA e o problema é maior do que parece.

Rebecca Ferreira 03 Jun 2026
Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

Após ser publicada no X como uma imagem supostamente gerada por IA, a obra Water Lilies (1915), de Claude Monet, viralizou depois que milhares de usuários passaram a apontar “excesso de suavidade”, “luz artificial” e “cara de IA” na pintura.

A publicação se tratava de um experimento de um artista anônimo, que publicou o quadro como se tivesse sido criado por IA e pediu que usuários explicassem por que a imagem seria inferior a uma obra original.

O episódio parece banal, mas revela um problema maior. A internet começou a perder a capacidade de reconhecer o que é real.

E isso vai muito além da arte.

O mercado global de arte movimenta US$ 59,6 bilhões, segundo o Art Basel e UBS Global Art Market Report, e concentra bases de dados valiosas sobre compradores de alto patrimônio. Um setor que sempre viveu o desafio de validar o que é legítimo.

Nenhum colecionador sério compra uma obra sem antes investigar o histórico completo e autenticidade da peça. De onde veio. Quem possuiu. Como foi transferida ao longo do tempo. E qualquer inconsistência é um sinal de alerta.

Agora, essa investigação está sendo potencializada pela inteligência artificial.

Pesquisadores já usam machine learning para identificar padrões microscópicos de pinceladas impossíveis de serem percebidos pelo olhar humano.

Museus como o Louvre e o Van Gogh Museum começaram a aplicar IA em processos de autenticação de obras historicamente controversas.

O paradoxo é que a mesma tecnologia também escalou a falsificação digital. E o mundo digital enfrenta o mesmo problema do mercado de arte.

Deepfakes, identidades sintéticas, phishing personalizado e conteúdos gerados por IA criaram um ambiente onde a aparência já não significa autenticidade.

Hackers e falsificadores de arte passaram a operar sob a mesma lógica. Criar algo convincente o suficiente para enganar sistemas de validação.

Tanto em um leilão de arte quanto em uma infraestrutura corporativa, o desafio passou a ser o mesmo: como estabelecer confiança em ambientes onde a falsificação é sofisticada, os valores em jogo são altíssimos e o custo do erro pode ser irreversível.

Coluna assinada
Rebecca Ferreira
Art advisor Rebecca Ferreira

Rebecca Ferreira é fundadora da Rivka Art Advisory, consultoria especializada em aquisição, gestão e desenvolvimento de coleções privadas. Atua conectando estratégia de investimento, curadoria e posicionamento cultural. Atende colecionadores experientes e iniciantes, com orientação personalizada, e colabora com galerias, leilões e projetos no Brasil e exterior. Também promove artistas brasileiros e produz conteúdo sobre o mercado de arte.

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