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Gestão de risco e governança de IA pautam avanço de fintechs

Setor financeiro busca regulamentação e controle para mitigar riscos e garantir ética na aplicação de inteligência artificial.

Not Journal 27 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A rápida adoção de ferramentas baseadas em inteligência artificial pelo mercado financeiro global consolidou a tecnologia como uma realidade incontornável para o setor. No entanto, após a fase inicial de implementação e testes, o foco das instituições agora se volta para um desafio ainda mais complexo e urgente: a criação de mecanismos robustos de governança e a gestão rigorosa de riscos associados a essas inovações disruptivas.

Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa futurista para se tornar a espinha dorsal de operações críticas diárias. Ela está presente desde a análise de crédito e subscrição de seguros até a detecção de fraudes em milissegundos. Com essa transição profunda, reguladores e executivos do setor bancário passaram a exigir que os algoritmos operem com transparência absoluta, ética e segurança ininterrupta. A ausência de controles adequados pode resultar em vieses discriminatórios na concessão de crédito, falhas de segurança sistêmicas e prejuízos milionários, o que torna a governança um pilar inegociável para a sustentabilidade dos negócios a longo prazo.

É exatamente nesse cenário de busca incessante por controle e mitigação de vulnerabilidades que empresas especializadas em gestão de riscos ganham tração no mercado. Um exemplo recente e expressivo desse movimento é a expansão da Oscilar, uma plataforma norte-americana focada no desenvolvimento de inteligência artificial agêntica voltada especificamente para instituições financeiras. A companhia decidiu intensificar sua presença na América Latina e, para capitanear essa operação estratégica, anunciou a contratação de Sergio Costantini como seu novo general manager para a região.

A escolha de Costantini reflete a necessidade do mercado de aliar conhecimento tecnológico profundo à experiência prática no rigoroso ambiente regulatório latino-americano. Ex-diretor de operações do Santander, o executivo possui um histórico consolidado no mercado financeiro tradicional e, simultaneamente, transita com facilidade no ecossistema de inovação e startups. Ele acumulará a nova função corporativa com a presidência da Associação Brasileira de Fintechs, cargo de liderança que assumiu em abril de 2026. Essa dupla atuação lhe confere uma posição privilegiada para dialogar tanto com empresas emergentes quanto com grandes conglomerados financeiros estabelecidos.

A proposta de plataformas avançadas como a que agora é liderada por Costantini na América Latina ilustra perfeitamente a evolução das ferramentas de controle tecnológico. A chamada inteligência artificial agêntica vai muito além da simples automação de tarefas repetitivas ou da análise de dados estáticos. Ela é desenhada para tomar decisões autônomas dentro de parâmetros estritos de segurança, adaptando-se a novas ameaças cibernéticas em tempo real. Para o setor financeiro, isso significa uma capacidade inédita de prever e neutralizar fraudes complexas antes que elas afetem o consumidor final, desde que as regras de governança estejam perfeitamente calibradas e monitoradas.

A América Latina, e o Brasil em particular, representa um terreno extremamente fértil para a implementação dessas tecnologias de governança e segurança. O país possui um dos sistemas financeiros mais digitalizados e dinâmicos do mundo, impulsionado por inovações de sucesso absoluto como o Pix e a iminente chegada do Drex, a moeda digital do Banco Central. Essa alta conectividade, embora seja altamente benéfica para a inclusão financeira da população, amplia exponencialmente a superfície de ataques cibernéticos e a complexidade das transações diárias. Consequentemente, a demanda por infraestruturas de proteção baseadas em IA cresce em ritmo acelerado, exigindo que as empresas locais se adequem rapidamente aos padrões globais de segurança.

Paralelamente aos esforços do setor corporativo, o ambiente regulatório também se movimenta de forma incisiva para estabelecer diretrizes claras sobre o uso da inteligência artificial. Bancos centrais e autoridades monetárias em diversas jurisdições debatem atualmente marcos legais que responsabilizem as instituições pelas decisões tomadas por seus algoritmos. A governança de IA, portanto, deixa de ser apenas um diferencial competitivo de mercado para se tornar uma exigência estrita de conformidade legal. As empresas que não conseguirem explicar como seus modelos de IA funcionam, ou como protegem os dados sensíveis dos clientes, correm o risco de sofrer sanções severas e danos irreparáveis à sua reputação institucional.

O momento atual marca uma transição fundamental e sem volta na relação entre tecnologia e finanças. A fase de deslumbramento inicial com as capacidades da inteligência artificial cede espaço para a maturidade operacional, onde a prioridade máxima é garantir que a inovação ocorra de forma segura, ética e auditável. Movimentações estratégicas de lideranças de peso e a chegada de plataformas especializadas em risco reforçam uma nova realidade

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