Sergio Costantini assume comando da Oscilar na América Latina
Ex-presidente da ABFintechs assume comando regional da Oscilar em cenário de expansão e desafios de governança.
Foto: Reprodução
O atual presidente da Associação Brasileira de Fintechs foi escolhido para guiar a estratégia regional da empresa de tecnologia, em um momento marcado pela rápida adoção de inteligência artificial e pelos crescentes desafios de governança no setor financeiro latino-americano.
O executivo Sergio Costantini, que atualmente ocupa a presidência da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), foi anunciado como o novo líder das operações da Oscilar para a América Latina. A movimentação estratégica, confirmada no final de agosto de 2026, reforça o plano de expansão da companhia em um dos mercados emergentes mais dinâmicos do mundo. A chegada do especialista tem como objetivo principal consolidar a presença da empresa em um ecossistema financeiro que se torna cada vez mais dependente de soluções tecnológicas avançadas e de infraestruturas de dados complexas.
A nomeação de Costantini ocorre em um período considerado crítico para as empresas de tecnologia financeira que operam na região. Com o amadurecimento acelerado de ferramentas digitais, impulsionado por inovações regulatórias como o Open Finance e sistemas de pagamentos instantâneos, as instituições financeiras buscam equilibrar a inovação com a segurança operacional. O histórico do executivo à frente da ABFintechs proporciona uma visão privilegiada sobre as necessidades de conformidade e as demandas por infraestrutura tecnológica robusta, elementos que são essenciais para a atuação da Oscilar em múltiplos países do continente.
Um dos principais panos de fundo para essa transição no mercado de tecnologia é a corrida global pela implementação de inteligência artificial. O setor financeiro latino-americano tem se destacado como um dos pioneiros na adoção dessas ferramentas, utilizando-as para a otimização de processos internos, análise de crédito em tempo real e, principalmente, na prevenção a fraudes. No entanto, o avanço tecnológico esbarra em um obstáculo significativo: a falta de estruturação adequada para mitigar os riscos inerentes ao uso de algoritmos complexos e ao processamento de grandes volumes de dados sensíveis.
Dados recentes do Relatório de Riscos e Prontidão para a IA 2026, elaborado pela Netskope em conjunto com a Cybersecurity Insiders, ilustram com precisão a dimensão desse desafio corporativo. O levantamento aponta que 73% das organizações já integraram algum tipo de ferramenta de inteligência artificial em suas rotinas operacionais. Em contrapartida, uma parcela alarmante de apenas 7% dessas mesmas empresas possui mecanismos de governança capazes de aplicar políticas de segurança de forma eficaz. Esse cenário evidencia uma lacuna perigosa entre a adoção desenfreada da tecnologia e o controle efetivo sobre ela.
É exatamente nessa lacuna de governança e segurança cibernética que a liderança de Costantini na Oscilar deve atuar com maior ênfase. A experiência acumulada pelo executivo no diálogo constante com órgãos reguladores e no fomento ao ecossistema de startups financeiras será fundamental para guiar a empresa. A meta é oferecer soluções que não apenas incorporem a vanguarda da inovação tecnológica, mas que também garantam a estrita conformidade regulatória e a proteção integral dos dados dos usuários finais.
A estruturação de processos seguros e auditáveis tornou-se um diferencial competitivo indispensável para qualquer companhia que almeje a liderança na América Latina. A contratação de um perfil institucional para comandar uma operação comercial demonstra uma mudança de postura das empresas de tecnologia, que passam a valorizar líderes capazes de transitar com fluidez entre o ambiente de negócios disruptivos e as exigências conservadoras dos bancos centrais locais. A capacidade de traduzir as demandas regulatórias em produtos tecnológicos eficientes é o grande ativo dessa nova gestão.
A expectativa do mercado financeiro é que a gestão do executivo impulsione a formação de parcerias estratégicas de longo prazo e acelere a adequação das ferramentas da Oscilar às particularidades econômicas e jurídicas de cada país latino-americano. Ao unir o profundo conhecimento institucional do setor de fintechs com a urgência por uma governança tecnológica mais rigorosa e responsável, a movimentação sinaliza um amadurecimento do mercado regional. O cenário atual passa a exigir não apenas a implementação rápida de novas tecnologias, mas a garantia de que seu uso seja feito com total responsabilidade e segurança.