FMI prevê que choques de preços agravarão pobreza por anos
Choques de preços em alimentos e energia se tornam mais frequentes, ameaçando inflação e padrão de vida global por anos.
Foto: Reprodução
Estudo aponta que altas bruscas em alimentos e energia devem se tornar mais frequentes, mantendo a inflação elevada e reduzindo o padrão de vida global.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que choques nos preços de alimentos e energia tendem a ser mais recorrentes, com impactos duradouros na economia global. Segundo estudo divulgado pela instituição em outubro de 2026, esses episódios podem manter as expectativas de inflação elevadas por anos, além de agravar a pobreza e a desigualdade.
O modelo proposto pelo FMI, que considera o impacto desproporcional do encarecimento sobre famílias de menor renda, revelou que 23 milhões de pessoas a mais ficaram abaixo da linha de extrema pobreza entre 2021 e 2024, em comparação com estimativas anteriores. A nova metodologia também identificou uma diferença de 0,8 ponto percentual em relação à medida padrão de inflação.
A pesquisa indica que as expectativas de inflação de curto e médio prazo aumentam significativamente durante crises de custo de vida. Mesmo três anos após o início de um choque, essas expectativas permanecem acima do nível pré-crise. Para 2026, o FMI projeta que a inflação global atinja 4,7%.
A economista do FMI Chiara Maggi, que co-liderou o estudo, destacou que as crises de custo de vida afetam a estabilidade de preços e derrubam o padrão de vida. Em publicação no blog da instituição, foi ressaltado que os consumidores enfrentam uma deterioração duradoura na acessibilidade financeira aos produtos de primeira necessidade.
O cenário de pressão inflacionária é reflexo de uma sucessão de crises nos últimos cinco anos, incluindo a pandemia de Covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e conflitos no Oriente Médio, como a guerra no Irã iniciada em fevereiro de 2026. Esses eventos causaram interrupções nas cadeias de suprimentos e disparadas nos preços de energia e fertilizantes.
Diante desse quadro, o FMI recomenda que os governos priorizem transferências de renda direcionadas aos mais vulneráveis, em vez de adotarem subsídios generalizados, considerados menos eficientes e mais custosos. A instituição deve publicar na próxima semana a atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Mundial, com novas projeções para o crescimento e a inflação globais.
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