Falta de dados oculta acidentes com entregadores
Dados escassos sobre acidentes com entregadores dificultam políticas públicas e responsabilização das plataformas.
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Apesar do crescimento exponencial do trabalho por aplicativos no Brasil, o país ainda enfrenta um apagão estatístico sobre os acidentes envolvendo entregadores. A ausência de números oficiais precisos dificulta a criação de políticas públicas eficazes e a responsabilização das plataformas digitais pelas condições de trabalho oferecidas.
A falta de informações consolidadas ocorre porque muitos desses profissionais atuam na informalidade, sem vínculo empregatício formal. Quando sofrem acidentes, os registros em hospitais e delegacias raramente especificam que a vítima estava trabalhando para um aplicativo de entrega no momento do ocorrido, diluindo os dados nas estatísticas gerais de trânsito.
Especialistas apontam que a tecnologia, que moldou o mundo moderno e facilitou serviços de geolocalização como o GPS para as entregas, não tem sido utilizada com a mesma eficiência para monitorar a segurança dos trabalhadores. Enquanto as plataformas rastreiam cada movimento para otimizar rotas, a notificação de acidentes de trabalho permanece negligenciada.
A ausência de dados concretos também impede que o Brasil avance em discussões sobre habitabilidade e segurança urbana, diferentemente de países como o Japão, que priorizam a mobilidade segura para todos os cidadãos. Sem saber onde e como os entregadores se acidentam, o planejamento urbano e as campanhas de prevenção no trânsito tornam-se menos eficazes.
Para reverter esse cenário, pesquisadores e sindicatos defendem a criação de protocolos específicos de registro em unidades de saúde e órgãos de trânsito. Apenas com um diagnóstico claro e baseado em dados reais será possível garantir mais segurança e direitos para uma das categorias que mais cresce no mercado de trabalho brasileiro.