Expansão da IA pode agravar desigualdade de gênero, diz WEF
Relatório do Fórum Econômico Mundial revela que mulheres são as mais afetadas pela automação e têm baixa representatividade em áreas de IA.
Foto: Reprodução
Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que mulheres ocupam apenas 20% das vagas em engenharia de inteligência artificial e são as mais vulneráveis às mudanças no mercado.
A rápida expansão da inteligência artificial (IA) ameaça acentuar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho global. O alerta consta em um relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), apresentado em 16 de setembro de 2026, em Londres. O documento, elaborado em parceria com o LinkedIn, destaca que a presença feminina em áreas ligadas à nova tecnologia ainda é desproporcionalmente baixa.
De acordo com os dados apresentados, as mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos de engenharia de IA. Além disso, a representatividade feminina em empresas especializadas no setor é inferior à registrada em companhias comparáveis de outros segmentos, em todos os níveis hierárquicos.
O impacto da automação também se mostra assimétrico. Saadia Zahidi, membro do comitê executivo do WEF, ressaltou que as funções mais suscetíveis a serem afetadas pela inteligência artificial são aquelas que concentram um maior número de profissionais do sexo feminino, como cargos qualificados de escritório. "O que constatamos é que os tipos de cargos que estão sendo afetados pela IA tendem a ser aqueles em que há uma concentração especial de mulheres", afirmou Zahidi.
A executiva do LinkedIn, Sue Duke, reforçou a preocupação com a disparidade na criação da tecnologia. "As mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos em engenharia de IA", declarou, evidenciando a lacuna na participação feminina no desenvolvimento das ferramentas que estão moldando o futuro do trabalho.
O cenário se insere em um contexto mais amplo de estagnação na busca pela paridade. O Global Gender Gap Report 2026 indica que a lacuna global de gênero está 69,2% fechada. No entanto, o ritmo de redução dessa desigualdade, que vinha avançando nas últimas duas décadas, desacelerou a partir de 2016. Mantida a velocidade atual, seriam necessários 120 anos para alcançar a igualdade total.
O relatório do WEF observa que o debate sobre a igualdade de gênero evoluiu do acesso básico à educação e ao trabalho para questões mais complexas, envolvendo a disputa por poder, influência e mobilidade econômica. Diante desse quadro, o documento defende que governos e empresas invistam, desde o princípio, na formação de mulheres para áreas científicas e funções relacionadas à IA, garantindo apoio ao longo de todas as etapas de suas carreiras.
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