EWZ despenca 19% no exterior após reeleição de Lula
Mercado reage com forte queda em ativos brasileiros no exterior após confirmação da vitória de Lula no pleito presidencial.
NÃO USAR - Lula vota em São Bernardo do Campo (Roberto Sungi/ATO Press/Estadão Conteúdo)
Ativos brasileiros negociados no exterior sofreram forte queda no after-hours de domingo (25), refletindo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) que replica ações brasileiras na Bolsa de Nova York, registrou um recuo de cerca de 19% logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a reeleição do presidente, às 21h09. O mercado financeiro vinha operando com otimismo nas semanas anteriores, precificando uma possível vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que era visto por parte dos investidores como mais alinhado a uma agenda liberal e de ajustes fiscais.
No mercado de câmbio, o dólar futuro saltou aproximadamente 11% no mercado de derivativos em Chicago (CME) na noite de domingo. A cotação chegou a atingir o equivalente a R$ 5,68 no pico, após ter encerrado a sessão de sexta-feira (23) a R$ 4,9930. Recibos de ações (ADRs) de grandes empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos também apresentaram quedas expressivas, com a Petrobras recuando cerca de 12% e o Itaú perdendo 13,65%.
A eleição de 2026 marcou a primeira vez desde a redemocratização que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer o pleito presidencial. Lula foi reeleito para o quarto mandato (2027-2030) com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro. Segundo relatos, o candidato derrotado não reconheceu o resultado, declarando que as eleições deveriam ter sido anuladas.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o movimento representa uma correção de rota do mercado. Ele destacou que a vitória de Lula não era o cenário base dos investidores, que trabalhavam com um leve favoritismo de Bolsonaro. Sung prevê que a abertura do mercado financeiro brasileiro (B3) nesta segunda-feira (26) seja marcada por alta volatilidade no câmbio e na curva de juros futura, com possível estresse no mercado de títulos públicos. Na última sessão antes do segundo turno, o Ibovespa havia subido 0,47%, aos 205.082,56 pontos.
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