Dívida global atingirá 100% do PIB até 2029, projeta FMI
FMI prevê endividamento global recorde antes de 2030, impulsionado por EUA e China, e pede ação fiscal urgente.
Foto: Reprodução
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a dívida pública global deve ultrapassar a marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2029. A nova projeção antecipa em dois anos a estimativa anterior da instituição. Atualmente, o endividamento já se encontra em nível recorde, equivalente a cerca de 95% de tudo o que é produzido no mundo em um ano.
O alerta foi feito publicamente pela diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, na quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Segundo a instituição, o aumento acelerado da dívida é impulsionado principalmente pelo endividamento das duas maiores economias do planeta: Estados Unidos e China. O FMI aponta que as economias avançadas, lideradas pelos EUA, apresentam índices de dívida em relação ao PIB mais elevados do que os mercados emergentes e países de baixa renda.
O cenário atual é agravado por uma série de choques econômicos recentes. A pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, pressões inflacionárias, a alta das taxas de juros e um choque energético decorrente de conflitos no Oriente Médio contribuíram para a deterioração fiscal global. Como reflexo, os gastos com juros aumentaram rapidamente, passando de 2% para quase 3% do PIB global no intervalo de quatro anos.
Diante desse quadro, o FMI defende a necessidade urgente de consolidação fiscal. A instituição pede que os governos ampliem os esforços para reduzir déficits orçamentários e conter o avanço do endividamento. "Temos vindo a alertar que é necessário que haja consolidação fiscal, e estamos observando bastante compreensão, mas não ações suficientes", afirmou Georgieva, ressaltando que a estratégia de apoios governamentais via aumento de dívida e déficits "já não é sustentável".
A diretora-geral também mencionou a situação específica dos Estados Unidos. Segundo ela, a partir de conversas com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, há um entendimento de que o atual cenário não é sustentável e de que o país precisa reduzir gradualmente seu déficit e sua dívida. O tema do endividamento global será discutido pelos 191 países membros do FMI na semana seguinte à divulgação do alerta.