Crise geopolítica no setor de energia ameaça economia global
Conflitos globais e ataques à infraestrutura energética ameaçam a economia mundial com novo choque do petróleo e inflação.
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A escalada de conflitos internacionais e os ataques a infraestruturas de energia estão gerando impactos diretos na economia mundial. A avaliação é do economista Charles Mendlowicz, que alerta para o risco de um novo choque do petróleo capaz de pressionar a inflação e forçar a manutenção de taxas de juros elevadas.
O cenário de instabilidade foi reforçado recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU). Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da entidade, em 22 de setembro de 2026, o secretário-geral António Guterres destacou que o mundo enfrenta uma convergência de ameaças sem precedentes, impulsionada pelo aprofundamento das divisões geopolíticas e por guerras prolongadas.
Sócio da consultoria Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, Mendlowicz explica que o comprometimento de rotas cruciais de suprimento, como o Estreito de Ormuz, e as investidas contra refinarias e oleodutos afetam toda a cadeia produtiva. Segundo o especialista, quando a geopolítica e o setor energético colidem, os efeitos são sentidos em escala global.
O economista detalha que o encarecimento do petróleo dispara uma reação em cadeia, elevando os custos de frete e produção, o que resulta em inflação de alimentos e mercadorias. Esse ambiente adverso obriga os bancos centrais a manterem políticas monetárias restritivas por mais tempo, frustrando as expectativas do mercado por um alívio nos juros.
No contexto brasileiro, a alta das commodities energéticas no mercado internacional representa um desafio adicional. A pressão sobre os preços dos combustíveis impacta diretamente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e impõe testes à atual política de preços adotada pela Petrobras.