Choque de energia pode conter juros na zona do euro, avalia BCE
Economista-chefe do BCE sugere que choque energético pode frear alta de juros e desacelerar economia.
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O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou nesta segunda-feira (5) que o recente encarecimento da energia pode limitar a necessidade de novos aumentos nas taxas de juros. O fenômeno, classificado como "destruição da demanda", atua como um freio na economia do bloco europeu.
A zona do euro enfrenta atualmente uma segunda onda de choque na oferta energética, o que levou a inflação da região a atingir uma máxima de três anos em setembro de 2026. Diante desse cenário, o BCE já havia elevado as taxas de juros duas vezes durante o verão europeu. No entanto, Lane explicou que o aperto nas condições financeiras, impulsionado pelo aumento nos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo, já contribui para a desaceleração econômica.
Segundo o economista, esses canais de destruição da demanda podem reduzir o ajuste necessário na política monetária para que a inflação retorne à meta. Ele destacou ainda que a redução do suporte fiscal nos próximos anos pesará sobre o crescimento. "Projeta-se que o impulso fiscal passe de positivo em 2026 para negativo em 2027 e 2028", declarou Lane, acrescentando que os juros de longo prazo reduzirão o repasse mais do que o projetado inicialmente.
Apesar das sinalizações sobre o impacto da energia e dos títulos públicos, Lane não detalhou a trajetória futura específica das taxas de juros. A instituição, presidida por Christine Lagarde, mantém uma postura de cautela, indicando que os próximos passos da política monetária continuarão sendo estritamente dependentes da evolução dos dados econômicos.