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China amplia produção e ameaça liderança do frango brasileiro

Gigante asiática expande produção e exportações, transformando-se de principal cliente em potencial rival do produto nacional.

Not Journal • • 2 min de leitura
Foto: Reprodução

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A China, tradicionalmente a maior compradora de frango brasileiro, está aumentando sua produção interna e ampliando exportações. Esse movimento coloca o país asiático em uma trajetória para se tornar um concorrente direto do Brasil no mercado internacional de proteína animal.

Dados apontam que a produção chinesa de carne de frango cresceu mais de 9% no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), nos primeiros cinco meses de 2026, a China exportou 546 mil toneladas do produto, um salto de 51% em relação ao ano anterior. O Rabobank também destacou o crescimento da produção chinesa.

O Brasil, atual líder mundial nas exportações do setor, registrou recordes no primeiro semestre de 2026. Foram embarcadas 2,936 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 5,7 bilhões. Entre janeiro e setembro, as vendas para a China somaram 420,4 mil toneladas, equivalentes a US$ 1,15 bilhão. Esse desempenho foi impulsionado pela recuperação do mercado após restrições comerciais causadas por um caso isolado de gripe aviária em junho de 2025.

Apesar dos números positivos, a posição da China como destino do frango brasileiro sofreu alterações. Em setembro de 2026, o país asiático caiu para a terceira posição, com 40,9 mil toneladas importadas, ficando atrás dos Emirados Árabes Unidos (45,9 mil toneladas) e da União Europeia (43,5 mil toneladas).

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), avaliou o cenário do primeiro semestre: "Os resultados foram alcançados em um ambiente marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos desafios logísticos decorrentes desse contexto".

A continuidade das relações comerciais entre Brasil e China, mesmo com o aumento da produção chinesa, é explicada por diferenças no consumo. Enquanto o mercado chinês demanda principalmente pés e asas, considerados iguarias locais, o Brasil foca na exportação de cortes como peito, coxa e sobrecoxa. O setor agora monitora a intensificação da concorrência chinesa em mercados da Ásia, África e Oriente Médio.

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