Bolsas europeias sobem após dados fracos de emprego nos EUA
Mercados europeus sobem com alívio em juros e dados fracos de emprego nos EUA.
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Mercado acionário da Europa registra recuperação impulsionada por recuo nos rendimentos dos títulos e redução das expectativas de aperto monetário pelo Federal Reserve.
As ações europeias apresentaram recuperação na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, revertendo parte das perdas registradas nos dias anteriores. O movimento foi impulsionado por uma queda nos rendimentos dos títulos públicos e pela divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos abaixo das expectativas do mercado.
O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou o pregão com alta de 0,8%. A recuperação ocorreu após o indicador ter atingido, na quinta-feira (1º), seu nível mais baixo em mais de três meses, quando fechou em queda de 1,3% em meio a uma forte liquidação no mercado de títulos que pressionou especialmente o setor bancário.
A mudança de sentimento dos investidores foi motivada pelo relatório de criação de vagas de emprego nos EUA (payroll) de setembro, que apontou apenas 29.000 novos postos de trabalho, número inferior ao esperado. Além disso, os dados dos dois meses anteriores sofreram revisão para baixo. O cenário reduziu as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros altos por um período prolongado.
No mercado de renda fixa, o rendimento do título alemão de 10 anos, considerado referência para a zona do euro, recuou mais de 6 pontos-base, fechando em 3,454%. Paralelamente, os preços do petróleo registraram queda de US$ 3 por barril.
Ronald Temple, diretor administrativo da Lazard Asset Management, avaliou que o relatório de empregos mais fraco provavelmente afasta a possibilidade de um aumento da taxa de juros pelo Fed em outubro. No entanto, ele ressaltou que, com mais dois meses de dados de inflação a serem divulgados antes da reunião de dezembro, o banco central americano poderá ser compelido a apertar a política monetária novamente.
Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, observou que a combinação de taxas de juros mais altas e inflação elevada é negativa para as ações. Segundo ele, a reação dos mercados acionários dependerá da percepção dos investidores sobre a duração desse cenário.
O mercado continua monitorando os próximos dados de inflação e as pressões na zona do euro, que podem manter o Banco Central Europeu (BCE) sob pressão. Ricardo Castillo, chefe de investimentos do Mirabaud Group, destacou também que a situação política e fiscal da França, incluindo o orçamento para 2027, deve influenciar o sentimento dos investidores.