BCE não vê efeito de segunda ordem na inflação, afirma Nagel
Dirigente do BCE avalia que alta de preços na zona do euro ainda não gera espiral inflacionária em salários e custos.
Foto: Reprodução
O presidente do Bundesbank e membro do Banco Central Europeu (BCE), Joachim Nagel, declarou em 5 de outubro de 2026 que a alta dos preços na zona do euro ainda não desencadeou os chamados efeitos de segunda ordem. A avaliação afasta, por ora, o temor de que o encarecimento da energia esteja se refletindo de forma permanente na formação de salários e preços pelas empresas.
Durante uma conferência em Sorrento, na Itália, o dirigente destacou que a autoridade monetária monitora o cenário com atenção. Atualmente, a inflação na zona do euro está em 3,8%, patamar quase duas vezes superior à meta de 2% perseguida pelo BCE. Apesar do índice elevado, Nagel ressaltou que até o momento não há sinais claros de que a inflação tenha se refletido na definição de preços e salários.
O cenário de pressões inflacionárias persistentes, agravado por incertezas geopolíticas, levou o BCE a elevar as taxas de juros em 25 pontos-base nos meses de junho e setembro de 2026, posicionando a taxa de depósito em 2,5%. Sobre os próximos passos, Nagel defendeu uma abordagem flexível e dependente da divulgação de novos dados econômicos. Segundo o dirigente, a significativa incerteza em torno da inflação exige flexibilidade e não inação, justificando uma resposta com cautela, mas com firmeza.
A postura de análise contínua também foi abordada por outros membros da instituição. No mesmo evento, o economista-chefe do BCE, Philip Lane, manifestou-se sobre os fatores macroeconômicos que podem limitar a necessidade de um aperto monetário mais agressivo, alinhando-se à perspectiva de que as decisões futuras sobre os juros ocorrerão reunião após reunião, sem compromissos prévios imediatos.