Bancos digitais apostam em telefonia para reter clientes
Instituições financeiras apostam em planos móveis para fidelizar clientes, mas enfrentam riscos operacionais e de imagem.
Foto: Reprodução
Instituições financeiras consolidam a oferta de planos móveis no modelo MVNO, mas especialistas alertam para riscos operacionais e de imagem. A integração de serviços de telefonia móvel tornou-se uma estratégia central para bancos e fintechs no Brasil, que buscam ampliar o relacionamento e a retenção de sua base de usuários.
O movimento é impulsionado pelo modelo de Operadora Móvel Virtual (MVNO), no qual as empresas financeiras alugam a infraestrutura de redes tradicionais para oferecer voz, SMS e internet sob marcas próprias. Segundo Bruno Diniz, sócio da consultoria de inovação financeira Spiralem, a dinâmica assemelha-se a práticas já conhecidas no setor. "Na prática, o paralelo que temos é o modelo de acordo do BaaS [Banking as a Service] que costumamos ver no mercado financeiro, onde se utiliza a infra de terceiros para viabilizar a sua atuação", afirma.
Entre os destaques do setor, a NuCel, do Nubank, ultrapassou a marca de 1 milhão de clientes em um ano e meio de operação, utilizando a rede da Claro. O Inter, pioneiro com a InterCel, atua há mais de cinco anos em parceria com a Vivo. Já o PicPay diversificou sua atuação em 2026, passando a oferecer chips internacionais via plataforma Gigs em março e firmando uma parceria comercial de conectividade com a TIM em maio.
Apesar da expansão, a dependência de infraestrutura de terceiros traz desafios. Especialistas apontam que eventuais falhas no serviço podem gerar desgaste reputacional para as instituições financeiras. O mercado já registrou encerramentos de operações conjuntas, como o fim da parceria de cerca de quatro anos entre o C6 Bank e a TIM após disputas. Além disso, o setor segue atento a novas movimentações, embora o Banco do Brasil tenha negado, no início de 2026, os rumores sobre o lançamento de um produto próprio de telefonia.