Banco Master simulou R$ 7,15 bilhões com empresa de fachada
PF aponta que banco usou empresa de R$ 100 para simular R$ 7,15 bilhões em consignados e inflar carteira vendida ao BRB.
Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) identificou que o Banco Master utilizou uma empresa de fachada para simular a origem de R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados. A companhia, chamada Tirreno Consultoria Promotora de Crédito e Participações S.A., foi criada com um capital social de apenas R$ 100, dos quais somente R$ 10 foram integralizados inicialmente.
Segundo as investigações, a Tirreno não possuía funcionários, movimentação bancária efetiva ou estrutura operacional compatível com o volume bilionário de crédito. O modus operandi envolvia o registro interno das cessões de crédito pelo Banco Master, sem que o dinheiro fosse efetivamente transferido para a empresa de fachada.
A PF aponta que mais de 1 milhão de contratos foram lançados no sistema do banco para compor a carteira. Além disso, foi identificada uma "fábrica de documentos" dentro do próprio Master para validar as operações, incluindo casos de "autocontratação", em que a instituição assinava contratos em nome dos clientes e figurava simultaneamente como credora.
O Banco de Brasília (BRB) adquiriu essas carteiras de crédito do Master. De acordo com a PF, o banco público transferiu R$ 12,2 bilhões ao Master entre janeiro e maio de 2025, valor que incluía a operação de R$ 7,15 bilhões e um "prêmio" de R$ 5,5 bilhões. O montante representava 30% dos bens do BRB.
A investigação integra a Operação Compliance Zero. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a descoberta de irregularidades financeiras e a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro.
No âmbito judicial, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou em 11 de setembro de 2026 que o ministro André Mendonça retirasse o sigilo de todos os procedimentos relacionados ao caso em um prazo de 24 horas. A decisão ocorreu após críticas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de outros ministros sobre uma suposta seletividade na liberação dos documentos. Mendonça liberou uma segunda leva de arquivos na noite do mesmo dia.