B3 estuda liberar contratos de eventos para investidor de varejo
Bolsa estuda levar apostas em eventos futuros a pequenos investidores, com foco em educação financeira.
Foto: Reprodução
A B3 está avaliando a possibilidade de expandir os chamados "mercados de previsão" para o investidor de varejo. Atualmente, esses produtos, que permitem investir em resultados de eventos futuros, como decisões de juros do Banco Central, IPCA e PIB, são restritos a investidores institucionais e profissionais.
A viabilização do produto para o pequeno investidor depende de iniciativas de educação financeira e do monitoramento da frequência de operações. O objetivo é evitar que a dinâmica de investimento seja confundida com apostas online, fenômeno conhecido como "efeito bet". A distribuição desses produtos segue regras restritas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e a B3 mantém discussões com o órgão regulador sobre a ampliação do público-alvo.
O tema foi debatido durante o evento "B3 Week 2026", realizado em São Paulo na terça-feira, 15 de setembro de 2026. O painel contou com a participação de Luiz Masagão, diretor da B3, Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3, Jerson Zanlorenzi, sócio do BTG Pactual, Judith Casas Sampere, representante da Interactive Brokers, e João Accioly, diretor da CVM.
A B3 já oferece contratos de eventos ligados a indicadores como Selic, IPCA, PIB, dólar, Ibovespa e bitcoin para investidores profissionais. O debate sobre a distinção entre mercados de previsão e apostas esportivas tem ganhado relevância no setor financeiro brasileiro. O modelo de referência citado por executivos da bolsa é o dos Estados Unidos, onde o investidor de varejo já possui acesso a esses instrumentos.
Durante o evento, Jerson Zanlorenzi, do BTG Pactual, explicou a dinâmica dos contratos: “Quando você vê um contrato custando 70 centavos em cem, está vendo diretamente a probabilidade que o mercado atribui àquele evento”. Já Daniel Maeda, da B3, destacou a diferença entre contratos de eventos e apostas: “Ninguém investe num contrato de dólar ou Ibovespa por ser apaixonado”. A B3 continua em diálogo com a CVM para definir o caminho regulatório e as salvaguardas necessárias para permitir o acesso do pequeno investidor.