Ativos tokenizados batem R$ 10 bi, mas setor segue incipiente
Crescimento expressivo em volume contrasta com a participação ainda tímida no mercado de crédito.
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O volume de ativos tokenizados no Brasil ultrapassou a marca de R$ 10 bilhões em agosto de 2026, registrando um crescimento de dez vezes em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço expressivo, o montante representa apenas 0,30% dos R$ 2,75 trilhões que compõem o mercado de crédito privado no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Os dados integram o "Brazil Tokenization Report 2026", elaborado pela fintech Nexa. O levantamento aponta que a composição desse mercado é altamente concentrada: 88% do valor total, o equivalente a R$ 7 bilhões, está alocado em operações de crédito privado. Na sequência, aparecem os recebíveis, com R$ 2 bilhões, e os fundos multiativos, somando R$ 1 bilhão. A pesquisa também revela que 94% do volume está restrito a apenas cinco das 25 classes de ativos mapeadas.
Embora o Brasil lidere o segmento de tokenização na América Latina, impulsionado pela busca por infraestruturas de registro e liquidação mais eficientes, o setor esbarra em desafios estruturais. Para 85% dos entrevistados no estudo, a regulação é o principal obstáculo para a expansão do mercado, seguida pela aceitação por parte dos investidores (83%), cibersegurança (28%) e infraestrutura tecnológica (24%).
O avanço regulatório é aguardado pelas empresas como catalisador para novas fases de crescimento. Cecília Melo, sócia e coordenadora do estudo na Nexa, destaca que normas como a Resolução CVM 88 estão em processo de revisão. "Não apenas a Resolução CVM 88 está sendo revista, mas há um piloto do Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM e outro da Anbima para olhar para essa atualização regulatória. Blockchain deveria ser uma infraestrutura que rege todo o mercado, em vista de ser mais eficiente para o setor", afirma a executiva.