Alterar meta de inflação agrava desancoragem, alerta BTG
Ajuste na meta de inflação pode minar credibilidade e não assegura queda de juros sem rigor fiscal.
(Reprodução/Money Report)
Relatório do banco aponta que elevar o alvo para até 4,5% seria medida inédita entre emergentes e poderia piorar as expectativas do mercado caso não venha acompanhada de rigor nas contas públicas.
Um estudo divulgado pelo BTG Pactual em 8 de novembro de 2026 analisa os impactos de uma eventual mudança permanente na meta de inflação do Brasil, atualmente fixada em 3%. Segundo a instituição financeira, subir o patamar para a faixa entre 4% e 4,5% representaria uma ação sem precedentes entre economias emergentes que utilizam o regime de metas.
A análise conclui que revisões desse tipo apenas geram resultados positivos se estiverem atreladas a medidas críveis de aperto fiscal e monetário. Em ambientes de baixa credibilidade, a alteração tende a impulsionar as projeções de inflação para além do novo teto. O BTG resgata exemplos internacionais, como Uruguai, Argentina e Turquia, onde a flexibilização falhou em reancorar as expectativas. No contexto doméstico, o banco lembra que a mudança de meta ocorrida em 2003 só funcionou porque foi combinada a um aumento da Selic e a um forte ajuste fiscal.
Atualmente, a discussão esbarra em um ambiente de fragilidade nas contas públicas e preocupação com a trajetória da dívida. Desde janeiro de 2025, o Brasil opera sob o regime de meta contínua, com verificação mensal. No entanto, o mercado financeiro tem elevado sucessivamente as estimativas de inflação para os próximos anos, frequentemente superando o limite de tolerância, o que reforça o alerta do relatório sobre os riscos de alterar as regras sem um compromisso sólido com a estabilidade econômica.
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