Açúcar sobe quase 30% em um ano na contramão de outros alimentos
Açúcar dispara quase 30% em um ano, contrariando tendência de queda nos preços globais de alimentos.
Canavial na região de Ribeirão Preto (SP) (Luciano Tolentino/EPTV)
O preço internacional do açúcar registrou uma alta de 28,8% em outubro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço ocorre em um cenário oposto ao do índice geral de preços globais dos alimentos, que apresentou recuo no mesmo período, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na sexta-feira (6).
Em relação a setembro de 2026, o açúcar teve um aumento de 6,6%. Esta foi a quarta alta mensal consecutiva da commodity, que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2024. A FAO atribui o encarecimento, em grande parte, a problemas climáticos no Brasil. A organização destacou que as 'interrupções relacionadas às chuvas nas operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar' na região Centro-Sul brasileira, principal polo produtor do país, pressionaram os preços.
Além do cenário brasileiro, incertezas sobre a produção da safra 2026/27 em outros importantes polos produtores, como Índia, União Europeia e Tailândia, também contribuíram para a elevação das cotações internacionais do açúcar.
Enquanto o açúcar encarece, o índice geral de preços de alimentos da FAO recuou 1,2% em outubro ante setembro, situando-se em 133,9 pontos. A queda foi puxada pela redução nos preços dos cereais (-4,5%), carnes (-1,2%) e laticínios (-1,1%). Esses recuos compensaram a alta do açúcar e o leve aumento de 0,3% nos óleos vegetais.
Apesar da queda mensal, o índice geral de alimentos ainda se encontra 5,9% acima do nível registrado em outubro de 2025. No entanto, o indicador permanece 16,4% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022.
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