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Acordo entre China e EUA ameaça liderança da soja brasileira

Acordo comercial entre China e EUA ameaça liderança brasileira no mercado de soja; entenda o impacto.

Not Journal • • 2 min de leitura
Transportadora subcontratou motorista para entregar carga de soja, porém veículo foi furtado (Divulgação)

Transportadora subcontratou motorista para entregar carga de soja, porém veículo foi furtado (Divulgação)

O compromisso de Pequim para adquirir 25 milhões de toneladas anuais do grão norte-americano até 2028 sinaliza uma busca por diversificação de fornecedores, colocando em pauta o futuro das exportações do agronegócio nacional.

Atualmente, o Brasil responde por 75% das exportações de soja para a China, em uma relação histórica de interdependência comercial. No entanto, o cenário começou a mudar após um acordo diplomático firmado em outubro de 2025, na cidade sul-coreana de Busan, que marcou a retomada das compras do produto dos Estados Unidos pelo país asiático.

O pacto estabelece que os chineses comprem 25 milhões de toneladas de soja americana por ano entre 2026 e 2028. Além do grão, a Casa Branca anunciou em maio de 2026 que a China se comprometeu a importar anualmente pelo menos US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas dos EUA. Apesar da meta, o volume efetivado entre janeiro e setembro deste ano somou apenas US$ 7,2 bilhões, o menor nível registrado desde 2019.

Mesmo com o avanço americano, o produto brasileiro mantém vantagem competitiva devido à estrutura tarifária. A soja nacional enfrenta uma taxa de 3% para entrar no mercado chinês, enquanto o grão dos EUA é taxado em 34%. Um relatório do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que, embora empresas estatais chinesas comprem a soja americana para cumprir o acordo de Busan, as tarifas retaliatórias levam os compradores comerciais a recorrerem aos fornecedores sul-americanos. A especialista Patrícia reforça que essa diferença tarifária ajuda a preservar a competitividade do Brasil no curto prazo.

A movimentação de Pequim vai além da diplomacia com Washington. O governo chinês busca reduzir a dependência geral de importações, ampliar a produção interna e se preparar para uma possível queda na demanda por alimentos ricos em proteína, motivada por mudanças demográficas. O mercado agora aguarda a implementação de eventuais reduções tarifárias recíprocas entre China e EUA, que podem alterar o fluxo comercial.

Diante do excesso de oferta global e das incertezas tarifárias para a safra 2026/27, especialistas da consultoria Systemiq recomendam cautela ao setor brasileiro. A orientação é evitar a expansão desenfreada da área plantada e focar em investimentos no processamento do grão, agregando valor ao produto para mitigar os riscos de queda nos preços e na receita de exportação.

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