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Transição energética: um ativo geopolítico

País pode usar riqueza em minerais críticos para redefinir seu papel e poder na nova ordem energética global.

Not Journal 05 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A transição energética global, impulsionada pela necessidade de combater as mudanças climáticas e pela busca por segurança energética, emerge como um fator estratégico de grande relevância geopolítica. A afirmação é de um diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em análise que sublinha a importância de o Brasil se posicionar de forma assertiva nesse cenário. A dinâmica de poder global está sendo reconfigurada, e o acesso a recursos e tecnologias limpas se torna um diferencial competitivo para as nações.

A discussão sobre a transição energética transcende a esfera ambiental e econômica, adentrando o campo da geopolítica. A crescente demanda por fontes de energia renovável, como solar e eólica, e a eletrificação de setores como o automotivo, demandam uma vasta quantidade de minerais críticos. Metais como lítio, cobalto, níquel e terras raras são essenciais para a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas. A disponibilidade e o controle desses recursos podem determinar o poder de barganha e a influência de um país no cenário internacional.

Nesse contexto, o Brasil detém um potencial significativo. O país é rico em diversos desses minerais, o que lhe confere uma posição de destaque na cadeia produtiva global. No entanto, para capitalizar essa vantagem, é fundamental um planejamento estratégico robusto. A diretora jurídica de compliance da Stratos, Tagie de Souza, em sua participação no 8º Brasília Summit, ressaltou a importância da mineração como pilar da transição energética, enfatizando a necessidade de fortalecimento da segurança jurídica e de políticas voltadas aos minerais críticos. A articulação entre órgãos reguladores e o setor privado é igualmente crucial para garantir um ambiente de negócios favorável e atrair investimentos.

A segurança jurídica, mencionada por Tagie de Souza, é um fator determinante para o sucesso de investimentos de longo prazo em infraestrutura e exploração mineral. Um arcabouço legal estável e previsível reduz riscos e incentiva a participação de empresas nacionais e estrangeiras. Políticas públicas claras e direcionadas para a cadeia de minerais críticos, desde a prospecção e extração até o beneficiamento e a reciclagem, são essenciais para maximizar o valor agregado e a geração de empregos no país.

A geopolítica da transição energética também se manifesta na disputa por tecnologias limpas e na capacidade de inovação. Países que lideram o desenvolvimento e a fabricação de equipamentos para energias renováveis e veículos elétricos tendem a exercer maior influência sobre os mercados globais. O Brasil, ao investir em pesquisa e desenvolvimento e ao fomentar a indústria nacional, pode se consolidar não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas também como produtor de tecnologias de ponta.

A análise da Aneel, ao classificar a transição energética como um "grande ativo geopolítico", aponta para uma visão estratégica que vai além da simples substituição de fontes de energia. Trata-se de um movimento que redefine alianças, cria novas dependências e abre espaço para a ascensão de novas potências. A capacidade de um país em gerenciar seus recursos minerais, desenvolver tecnologias limpas e garantir o acesso a mercados para seus produtos energéticos determinará seu protagonismo nesse novo cenário global.

A articulação entre a política energética e a política externa se torna, portanto, indispensável. O Brasil precisa dialogar com outros países sobre a governança global dos minerais críticos, estabelecer parcerias estratégicas para o desenvolvimento de cadeias produtivas e defender seus interesses em fóruns internacionais. A transição energética não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma oportunidade única para o Brasil fortalecer sua posição no tabuleiro geopolítico mundial, impulsionando seu desenvolvimento econômico e sua soberania. A forma como o país conduzirá essa transição definirá seu papel no século XXI.

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