Terras raras: a nova corrida global por minerais estratégicos
Minerais impulsionam corrida global por tecnologia e reconfiguram a geopolítica mundial.
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Minerais essenciais para tecnologias avançadas impulsionam disputas geopolíticas e investimentos bilionários.
A crescente demanda por tecnologias limpas e dispositivos eletrônicos sofisticados transformou as terras raras em um dos ativos mais cobiçados do planeta. Um conjunto de 17 elementos químicos com propriedades únicas, esses minerais são indispensáveis na fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e sistemas de defesa. O Correio Braziliense Economia publicou, em 20 de maio de 2026, uma análise detalhada sobre o tema, destacando como essa busca global está remodelando a economia e a geopolítica mundial.
A importância das terras raras reside em suas características singulares. Elas atuam como catalisadores, condutores e componentes essenciais em uma vasta gama de aplicações tecnológicas. Ímãs de neodímio, por exemplo, cruciais para motores elétricos e turbinas eólicas, dependem fortemente desses elementos. Da mesma forma, o ítrio e o europio são utilizados em telas de smartphones e televisores, enquanto o lantânio é fundamental para lentes de câmeras e equipamentos ópticos.
Apesar da aparente abundância, a exploração e o processamento de terras raras são complexos e desafiadores. As jazidas geralmente contêm concentrações baixas dos minerais desejados, exigindo processos de extração e refino dispendiosos e ambientalmente impactantes. A China, por décadas, dominou a produção global, controlando grande parte da cadeia de suprimentos. Essa hegemonia gerou preocupações em outros países, que buscam diversificar suas fontes e reduzir a dependência de um único fornecedor.
A busca por alternativas impulsionou investimentos em projetos de mineração em diversas partes do mundo, incluindo Austrália, Estados Unidos, Canadá e Brasil. O desenvolvimento de tecnologias de extração mais limpas e eficientes também se tornou uma prioridade, visando mitigar os impactos ambientais associados à atividade. A reciclagem de componentes eletrônicos, outra estratégia em ascensão, busca recuperar terras raras de produtos descartados, contribuindo para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos.
O aumento da demanda por veículos elétricos, impulsionado por políticas de incentivo e pela crescente conscientização ambiental, é um dos principais vetores dessa corrida global. Programas governamentais, como o "Move Aplicativos", que oferece crédito facilitado para taxistas e motoristas de aplicativo adquirirem carros novos, exemplificam essa tendência. A necessidade de baterias de alta performance, que utilizam terras raras em sua composição, intensifica a pressão sobre a oferta desses minerais.
No entanto, a crescente demanda por tecnologia não se limita apenas aos veículos elétricos. A obsolescência programada e as decisões de empresas como a Amazon, que recentemente encerrou o suporte para modelos antigos do Kindle, forçando usuários a substituírem seus dispositivos, também contribuem para o aumento do consumo de terras raras. Essa prática, criticada por muitos consumidores, gera um ciclo vicioso de produção e descarte, com impactos ambientais significativos.
A complexidade geopolítica em torno das terras raras também se intensificou nos últimos anos. A concentração da produção na China, combinada com tensões comerciais e disputas territoriais, levantou questões sobre a segurança do fornecimento e a possibilidade de restrições comerciais. A guerra na Ucrânia e a crise no Oriente Médio, que levaram a ONU a reduzir a previsão de crescimento global para 2,5% em 2026, também contribuem para a instabilidade do mercado e a busca por fontes alternativas.
Diante desse cenário, a diversificação da cadeia de suprimentos e o desenvolvimento de tecnologias de extração e reciclagem mais sustentáveis são cruciais para garantir o acesso a esses minerais estratégicos e mitigar os riscos geopolíticos e ambientais associados à sua produção. A corrida global por terras raras, portanto, não é apenas uma questão econômica, mas também um desafio para a segurança, a sustentabilidade e o futuro da inovação tecnológica.