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Se o cybercrime fosse um país, ele já seria a terceira maior economia do mundo

O impacto global do crime digital já passa de US$ 10 trilhões por ano.

Por Rebecca Ferreira • • 3 min de leitura
Foto: Reprodução/Internet

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Existe um dado que ajuda a dimensionar a transformação que estamos vivendo em segurança digital: se o cybercrime fosse um país, ele teria hoje a terceira maior economia do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

A estimativa, difundida pela Cybersecurity Ventures, calcula que o impacto econômico global dessas operações já ultrapasse US$ 10 trilhões por ano. O avanço acompanha exatamente a velocidade da digitalização da infraestrutura mundial.

À medida que bancos, meios de pagamento, logística e sistemas de comunicação migraram para ambientes conectados, cresceu também o impacto econômico de fraudes, ransomwares e interrupções operacionais.

O Brasil se tornou um dos principais laboratórios globais dessa transformação e passou a ocupar uma posição central no mapa de ataques cibernéticos, impulsionado tanto pela relevância do seu sistema financeiro quanto pela velocidade incomum com que digitalizou pagamentos e serviços bancários.

Em poucos anos, o país digitalizou grande parte da vida financeira da população em uma velocidade rara até para padrões internacionais. O Pix talvez seja o principal símbolo dessa transformação. Segundo o Banco Central, o sistema já ultrapassou 170 milhões de usuários e se consolidou como uma das maiores infraestruturas de pagamento instantâneo do mundo.

A consequência é inevitável: exposição.

O mesmo ambiente que acelerou a inovação financeira colocou o Brasil entre os principais alvos de operações cibernéticas globais. Relatórios de threat intelligence de empresas como IBM, Netscout, Trend Micro e Mandiant (Google Cloud) posicionam o país, de forma recorrente, entre os maiores alvos de ataques do mundo e o principal da América Latina.

Mas existe uma contradição interessante nisso tudo: o fato de ser um dos países mais atacados do mundo também transformou o mercado brasileiro em um dos ambientes mais propícios para o desenvolvimento de inteligência em segurança financeira.

Mercados submetidos à pressão constante tendem a acelerar maturidade técnica antes dos demais. Em segurança digital, isso acontece porque os ataques forçam evolução operacional contínua. Existe pouco espaço para teoria quando a ameaça é diária.

Israel talvez seja o exemplo mais emblemático dessa lógica. Parte relevante da liderança global do país em segurança digital nasceu justamente da necessidade de responder, em tempo real, a ameaças constantes contra infraestrutura crítica, sistemas financeiros e operações estratégicas.

E o Brasil já começa a consolidar uma trajetória própria nesse cenário, especialmente em áreas ligadas à proteção bancária, prevenção a fraudes e resposta a incidentes em larga escala. A pressão também acelerou a especialização local e começa a abrir espaço para a exportação de inteligência, tecnologia e serviços de segurança para outras geografias.

Durante anos, o Brasil foi retratado apenas como estatística nos relatórios globais de ataques cibernéticos. Agora, começa a ser visto de outra forma pelo mundo. Cada vez mais, o país ganha relevância pela expertise desenvolvida em cibersegurança, em um movimento que vem redefinindo seu papel no cenário global de segurança digital.

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Coluna assinada
Rebecca Ferreira
Art advisor Rebecca Ferreira

Rebecca Ferreira é fundadora da Rivka Art Advisory, consultoria especializada em aquisição, gestão e desenvolvimento de coleções privadas. Atua conectando estratégia de investimento, curadoria e posicionamento cultural. Atende colecionadores experientes e iniciantes, com orientação personalizada, e colabora com galerias, leilões e projetos no Brasil e exterior. Também promove artistas brasileiros e produz conteúdo sobre o mercado de arte.

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