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Se o cybercrime fosse um país, ele já seria a terceira maior economia do mundo

O impacto global do crime digital já passa de US$ 10 trilhões por ano.

Rebecca Ferreira 02 Jun 2026
Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

Existe um dado que ajuda a dimensionar a transformação que estamos vivendo em segurança digital: se o cybercrime fosse um país, ele teria hoje a terceira maior economia do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

A estimativa, difundida pela Cybersecurity Ventures, calcula que o impacto econômico global dessas operações já ultrapasse US$ 10 trilhões por ano. O avanço acompanha exatamente a velocidade da digitalização da infraestrutura mundial.

À medida que bancos, meios de pagamento, logística e sistemas de comunicação migraram para ambientes conectados, cresceu também o impacto econômico de fraudes, ransomwares e interrupções operacionais.

O Brasil se tornou um dos principais laboratórios globais dessa transformação e passou a ocupar uma posição central no mapa de ataques cibernéticos, impulsionado tanto pela relevância do seu sistema financeiro quanto pela velocidade incomum com que digitalizou pagamentos e serviços bancários.

Em poucos anos, o país digitalizou grande parte da vida financeira da população em uma velocidade rara até para padrões internacionais. O Pix talvez seja o principal símbolo dessa transformação. Segundo o Banco Central, o sistema já ultrapassou 170 milhões de usuários e se consolidou como uma das maiores infraestruturas de pagamento instantâneo do mundo.

A consequência é inevitável: exposição.

O mesmo ambiente que acelerou a inovação financeira colocou o Brasil entre os principais alvos de operações cibernéticas globais. Relatórios de threat intelligence de empresas como IBM, Netscout, Trend Micro e Mandiant (Google Cloud) posicionam o país, de forma recorrente, entre os maiores alvos de ataques do mundo e o principal da América Latina.

Mas existe uma contradição interessante nisso tudo: o fato de ser um dos países mais atacados do mundo também transformou o mercado brasileiro em um dos ambientes mais propícios para o desenvolvimento de inteligência em segurança financeira.

Mercados submetidos à pressão constante tendem a acelerar maturidade técnica antes dos demais. Em segurança digital, isso acontece porque os ataques forçam evolução operacional contínua. Existe pouco espaço para teoria quando a ameaça é diária.

Israel talvez seja o exemplo mais emblemático dessa lógica. Parte relevante da liderança global do país em segurança digital nasceu justamente da necessidade de responder, em tempo real, a ameaças constantes contra infraestrutura crítica, sistemas financeiros e operações estratégicas.

E o Brasil já começa a consolidar uma trajetória própria nesse cenário, especialmente em áreas ligadas à proteção bancária, prevenção a fraudes e resposta a incidentes em larga escala. A pressão também acelerou a especialização local e começa a abrir espaço para a exportação de inteligência, tecnologia e serviços de segurança para outras geografias.

Durante anos, o Brasil foi retratado apenas como estatística nos relatórios globais de ataques cibernéticos. Agora, começa a ser visto de outra forma pelo mundo. Cada vez mais, o país ganha relevância pela expertise desenvolvida em cibersegurança, em um movimento que vem redefinindo seu papel no cenário global de segurança digital.

Coluna assinada
Rebecca Ferreira
Art advisor Rebecca Ferreira

Rebecca Ferreira é fundadora da Rivka Art Advisory, consultoria especializada em aquisição, gestão e desenvolvimento de coleções privadas. Atua conectando estratégia de investimento, curadoria e posicionamento cultural. Atende colecionadores experientes e iniciantes, com orientação personalizada, e colabora com galerias, leilões e projetos no Brasil e exterior. Também promove artistas brasileiros e produz conteúdo sobre o mercado de arte.

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